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quinta-feira, 3 de setembro de 2020

Minha Romã de Pomar #10


י


myorchardpomegranates 10 - Yud [י]

10.1 O tetragrama sagrado está composto de 4 letras e simboliza, entre outras coisas, a divisão do ato da Criação em 4 fases: [energia], descida ao mundo físico para lançar essa energia, [lançamento] dessa energia com consequente [criação] do mundo dos fenômenos e finalmente o [retorno] ao mundo não físico. Esse processo criativo pode ser facilmente entendido, quando percebemos que Yud [י] é o poder infinito, a primeira Hei [ה] é o portal de descida, Vav [ו] representa os seis dias da Criação e, finalmente, a segunda Hei [ה] representa o portal do retorno. Yud [י] representa o poder e o saber fazer.

10.2 Chokmá [חכמה] é o vaso ou recipiente onde ocorre a Criação. O Criador, desde a posição de Kether, observa esse vaso e conecta-se a ele para transmitir seu poder, assim permitindo que a criação do mundo físico possa ocorrer. Por isso a forma da Yud [י] como um fio condutor, que desce do centro para conectar-se com algo do lado direito, justamente as posições de Kether e Chokmá. Se faço um sinal de OK para alguém, levantando meu polegar direito com os demais dedos fechados, consigo que meu polegar represente exatamente a forma da letra Yud [י], com o qual estou na posição daquele que emana uma dada energia, emissor de uma dada positividade, que transmito à outra pessoa. Desde sua perspectiva o receptor verá meu polegar invertido, conectando-se desde Kether à Sefirá Biná, configurando sua percepção quanto a minha pessoa, como um emissor dessa dada energia, que emana do Criador e que se espalha pelo mundo dos fenômenos, tal e como o faz Biná, algo como a água lançada por um aspersor de irrigação. É fácil resgatar a imagem do Big Bang, quando visualizo esse fenômeno.

10.3 Tal e como descrito na letra Alef [א], com relação aos significados das Yuds presentes nessa letra, que abarcam os entendimentos da Yud [י] como sendo uma mão, tanto as Yuds de Alef [א], quanto as letras Hei [ה] do tetragrama possuem esse significado, mas no tetragrama estão de forma mais explícita, ainda que para um desconhecedor do alfabeto hebraico e de sua capacidade de revelar entendimentos elevados, esses entendimentos todavia continuarão inacessíveis. As duas Hei [ה] ladeiam Vav [ו], e cada uma vale 5, justamente os cinco dedos da mão humana, contudo, de forma ainda mais explícita, essa letra está formada por uma Yud [י] pela esquerda e uma Dalet [ד] pela direita, resultando uma vez mais no número 5 [10+4=14=5], e desenhando exatamente a mão humana, quando consideramos sua Yud [י] como o polegar e sua Dalet [ד] como os demais dedos fechados. E como temos Vav [ו], representando os seis dias da Criação do mundo, fica nítida a representação das mãos do Criador, utilizando a energia que emana da Yud [י] para realizar e sustentar Sua Obra. Quando digo que Ele sustenta, ademais de criar, digo pelo fato de suas Dalets somarem 8, símbolo numérico do infinito, portanto Ele envia a energia primordial desde seus polegares, sendo os demais dedos como reservatórios dessa energia que está sendo utilizada para manter a existência física do mundo. Talvez essa seja a explicação mais cabalística possível do porquê dos astrofísicos afirmarem que o universo está acelerando em seu horizonte visível, em vez de desacelerar.

10.4 Yud [י] é 10, mas também é 1 [1+0=1], razão pela qual pode ser entendida desde a posição de Malkut e de Kether. A Yud [י] é a Luz que emana desde Kether; é a porção visível da [אין סוף: Ain Sof Aur] [a Luz ilimitada], a que está além de Kether e que emana para alimentar o vaso de Chokmá. É a face do Criador voltada para Chokmá, por isso que se diz que somente vemos o lado direito de Sua face, Seu olho direito, porque Seu lado esquerdo está voltado ao não manifestado, com o qual, quando quero representar o Olho de Deus, o cabalisticamente correto é desenhar um olho direito. Ele observa Sua energia criando em Chokmá, logo, observa a si mesmo em Chokmá, portanto, essa Sefirá é como um espelho, o espelho de Chokmá, onde Ele observa a Sua criação. O que vemos, o vemos por meio de Biná, a qual reflete esse fenômeno divino que está ocorrendo entre Kether e Chokmá, vemos o reflexo da Criação por meio das infinitas faces de Biná, como o olho de uma abelha, refletindo essa Luz a tudo o que há na Criação. Quando consigo visualizar todo esse emaranhado fenomênico do mundo do acima, entendo como Einstein alcançou o entendimento da relação do espaço-tempo com a gravidade no que chamou de teoria geral da relatividade. É Ele observando o que ocorre quando a gravidade distorce o espaço-tempo e este empurra a matéria ou seja, ele não observa diretamente a matéria, mas sim observa os fenômenos que ocorrem no espaço-tempo pela influência da gravidade proveniente da matéria, por isso gosto de afirmar que nossas ações são agradáveis a Deus, independente de qualquer julgamento, o importante é agir para provocar [algo] naquilo que Ele observa. 

10.5 Definitivamente Yud [י] é o número 10, revelando o 0 [zero] que é o Criador antes de sua criação, como Vazio absoluto ou o espaço dentro do vaso onde ocorrerá Sua criação, e o 1 como o Tudo ou como um bastão, símbolo da serpente que porta, que conduz a energia geradora de vida, a chispa divina, portanto, Yud [י] revela a figura de um sábio portando seu bastão. Esotericamente esse entendimento é visualizado como um ancião de barba longa, portando um bastão e visto de perfil, um visual que inspira a muitos escritores de contos fantásticos a criar histórias de Magos. Gosto de pensar que a sabedoria neste entendimento está em que não possuímos poder algum, que tudo vem de Deus.

10.6 Yud [י] é a língua sábia de Samech [ס] na boca da Peh [פ], é o entendimento do hálito divino, o hálito do hálito, como poder da palavra, a língua que dá forma ao ar, um poder para mudar a frequência das coisas. Aqui entra tudo o que está relacionado aos entendimentos do poder da palavra. Enquanto elevado, esse poder é divino, representado pela menor letra do alfabeto hebraico, enquanto caído, sinuoso e pervertido, esse poder é representado pela Lamed [ל], como uma serpente enrolada no bastão, achando-se capaz de tomar o poder para fins egoístas. Talvez por isso as letras Bet [ב] e Kaph [כ] não possuem língua, ambas valem 2 [2 e 20=2], valor binário representativo da dualidade, portanto, do mundo dos fenômenos, insinuando que se você não tem nada [bom] [tov] [טוֹב] para dizer, melhor fique calado.

10.7 O termo para homem é Íshy [איש] e o termo para mulher é Ishah [אשה]. A Yud [י] de Íshy e a Hei [ה] de Ishah, formam Yah [יה], que é o prefixo para o nome de Deus [יהוה] [o tetragrama sagrado]. Íshy sem a Yud [י] e Ishah sem a Hei [ה] formam a palavra Êsh [אש], que significa [fogo], revelando que o nome de Deus só está presente na união entre homem e mulher.

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Referências Bibliográficas:

1 Torá.
2 Zohar.
3 Regardie, Israel - Un jardin de granadas.
4 Papus - La Cabala.
5 Greer, John Michael - Paths of Wisdom.

© Lúcio José Patrocínio Filho