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quinta-feira, 3 de setembro de 2020

Minha Romã de Pomar #10


י


myorchardpomegranates 10 - Yud [י]

10.1 O tetragrama sagrado está composto de 4 letras e simboliza, entre outras coisas, a divisão do ato da Criação em 4 fases: [energia], descida ao mundo físico para lançar essa energia, [lançamento] dessa energia com consequente [criação] do mundo dos fenômenos e finalmente o [retorno] ao mundo não físico. Esse processo criativo pode ser facilmente entendido, quando percebemos que Yud [י] é o poder infinito, a primeira Hei [ה] é o portal de descida, Vav [ו] representa os seis dias da Criação e, finalmente, a segunda Hei [ה] representa o portal do retorno. Yud [י] representa o poder e o saber fazer.

10.2 Chokmá [חכמה] é o vaso ou recipiente onde ocorre a Criação. O Criador, desde a posição de Kether, observa esse vaso e conecta-se a ele para transmitir seu poder, assim permitindo que a criação do mundo físico possa ocorrer. Por isso a forma da Yud [י] como um fio condutor, que desce do centro para conectar-se com algo do lado direito, justamente as posições de Kether e Chokmá. Se faço um sinal de OK para alguém, levantando meu polegar direito com os demais dedos fechados, consigo que meu polegar represente exatamente a forma da letra Yud [י], com o qual estou na posição daquele que emana uma dada energia, emissor de uma dada positividade, que transmito à outra pessoa. Desde sua perspectiva o receptor verá meu polegar invertido, conectando-se desde Kether à Sefirá Biná, configurando sua percepção quanto a minha pessoa, como um emissor dessa dada energia, que emana do Criador e que se espalha pelo mundo dos fenômenos, tal e como o faz Biná, algo como a água lançada por um aspersor de irrigação. É fácil resgatar a imagem do Big Bang, quando visualizo esse fenômeno.

10.3 Tal e como descrito na letra Alef [א], com relação aos significados das Yuds presentes nessa letra, que abarcam os entendimentos da Yud [י] como sendo uma mão, tanto as Yuds de Alef [א], quanto as letras Hei [ה] do tetragrama possuem esse significado, mas no tetragrama estão de forma mais explícita, ainda que para um desconhecedor do alfabeto hebraico e de sua capacidade de revelar entendimentos elevados, esses entendimentos todavia continuarão inacessíveis. As duas Hei [ה] ladeiam Vav [ו], e cada uma vale 5, justamente os cinco dedos da mão humana, contudo, de forma ainda mais explícita, essa letra está formada por uma Yud [י] pela esquerda e uma Dalet [ד] pela direita, resultando uma vez mais no número 5 [10+4=14=5], e desenhando exatamente a mão humana, quando consideramos sua Yud [י] como o polegar e sua Dalet [ד] como os demais dedos fechados. E como temos Vav [ו], representando os seis dias da Criação do mundo, fica nítida a representação das mãos do Criador, utilizando a energia que emana da Yud [י] para realizar e sustentar Sua Obra. Quando digo que Ele sustenta, ademais de criar, digo pelo fato de suas Dalets somarem 8, símbolo numérico do infinito, portanto Ele envia a energia primordial desde seus polegares, sendo os demais dedos como reservatórios dessa energia que está sendo utilizada para manter a existência física do mundo. Talvez essa seja a explicação mais cabalística possível do porquê dos astrofísicos afirmarem que o universo está acelerando em seu horizonte visível, em vez de desacelerar.

10.4 Yud [י] é 10, mas também é 1 [1+0=1], razão pela qual pode ser entendida desde a posição de Malkut e de Kether. A Yud [י] é a Luz que emana desde Kether; é a porção visível da [אין סוף: Ain Sof Aur] [a Luz ilimitada], a que está além de Kether e que emana para alimentar o vaso de Chokmá. É a face do Criador voltada para Chokmá, por isso que se diz que somente vemos o lado direito de Sua face, Seu olho direito, porque Seu lado esquerdo está voltado ao não manifestado, com o qual, quando quero representar o Olho de Deus, o cabalisticamente correto é desenhar um olho direito. Ele observa Sua energia criando em Chokmá, logo, observa a si mesmo em Chokmá, portanto, essa Sefirá é como um espelho, o espelho de Chokmá, onde Ele observa a Sua criação. O que vemos, o vemos por meio de Biná, a qual reflete esse fenômeno divino que está ocorrendo entre Kether e Chokmá, vemos o reflexo da Criação por meio das infinitas faces de Biná, como o olho de uma abelha, refletindo essa Luz a tudo o que há na Criação. Quando consigo visualizar todo esse emaranhado fenomênico do mundo do acima, entendo como Einstein alcançou o entendimento da relação do espaço-tempo com a gravidade no que chamou de teoria geral da relatividade. É Ele observando o que ocorre quando a gravidade distorce o espaço-tempo e este empurra a matéria ou seja, ele não observa diretamente a matéria, mas sim observa os fenômenos que ocorrem no espaço-tempo pela influência da gravidade proveniente da matéria, por isso gosto de afirmar que nossas ações são agradáveis a Deus, independente de qualquer julgamento, o importante é agir para provocar [algo] naquilo que Ele observa. 

10.5 Definitivamente Yud [י] é o número 10, revelando o 0 [zero] que é o Criador antes de sua criação, como Vazio absoluto ou o espaço dentro do vaso onde ocorrerá Sua criação, e o 1 como o Tudo ou como um bastão, símbolo da serpente que porta, que conduz a energia geradora de vida, a chispa divina, portanto, Yud [י] revela a figura de um sábio portando seu bastão. Esotericamente esse entendimento é visualizado como um ancião de barba longa, portando um bastão e visto de perfil, um visual que inspira a muitos escritores de contos fantásticos a criar histórias de Magos. Gosto de pensar que a sabedoria neste entendimento está em que não possuímos poder algum, que tudo vem de Deus.

10.6 Yud [י] é a língua sábia de Samech [ס] na boca da Peh [פ], é o entendimento do hálito divino, o hálito do hálito, como poder da palavra, a língua que dá forma ao ar, um poder para mudar a frequência das coisas. Aqui entra tudo o que está relacionado aos entendimentos do poder da palavra. Enquanto elevado, esse poder é divino, representado pela menor letra do alfabeto hebraico, enquanto caído, sinuoso e pervertido, esse poder é representado pela Lamed [ל], como uma serpente enrolada no bastão, achando-se capaz de tomar o poder para fins egoístas. Talvez por isso as letras Bet [ב] e Kaph [כ] não possuem língua, ambas valem 2 [2 e 20=2], valor binário representativo da dualidade, portanto, do mundo dos fenômenos, insinuando que se você não tem nada [bom] [tov] [טוֹב] para dizer, melhor fique calado.

10.7 O termo para homem é Íshy [איש] e o termo para mulher é Ishah [אשה]. A Yud [י] de Íshy e a Hei [ה] de Ishah, formam Yah [יה], que é o prefixo para o nome de Deus [יהוה] [o tetragrama sagrado]. Íshy sem a Yud [י] e Ishah sem a Hei [ה] formam a palavra Êsh [אש], que significa [fogo], revelando que o nome de Deus só está presente na união entre homem e mulher.

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Referências Bibliográficas:

1 Torá.
2 Zohar.
3 Regardie, Israel - Un jardin de granadas.
4 Papus - La Cabala.
5 Greer, John Michael - Paths of Wisdom.

© Lúcio José Patrocínio Filho

sábado, 22 de agosto de 2020

Minha Romã de Pomar #9


ט
myorchardpomegranates 9 - Tet [ט]

9.1 A forma da letra Tet [ט] é facilmente identificável como sendo uma serpente enrolada, e esse animal está carregado de profundos simbolismos, que vão desde a serpente de Adão, até a Vara de Moisés. [No crepúsculo do sexto dia da Criação, Deus criou a vara e a entregou a Adão no momento em que foi retirado do paraíso.] [Ab. v. 9, e Mek Beshallaḥ, ed. Weiss, iv. 60]. Nessa vara estava gravado o inefável Nome de Deus. Depois de passar sucessivamente pelas mãos de Sem, Enoque, Abraão, Isaque e Jacó, a vara passou às mãos do filho de Jacó, José, mas com sua morte, os nobres egípcios roubaram alguns dos seus bens e Jetro apropriou-se de alguns bens pessoais, contudo, não conseguiu retirar a vara do chão, afinal, somente o ato de tocá-la já representava risco de morte. Quando Moisés tornou-se agregado de Jetro, conseguiu ler o Nome de Deus e assim foi capaz de utilizar essa vara, o que lhe rendeu um casamento com Zípora, a filha de Jetro, porque anteriormente havia feito com que ela jurasse que se casaria apenas com aquele que dominasse a milagrosa vara [Pirke R. El. 40; Sefer ha-Yashar; Yalḳ. Ex. 168, final]. Entretanto, a Mishná ressalta [Ab. v. 9], que se desconhecia a origem divina da vara, sendo esta origem mencionada por primeira vez em Mekilta [LC] e no Sifre sobre Deut. [Ber. xxxiii. 21, ed. Friedmann, p. 355].1

9.2 A vara que se converte em serpente é simbologia relacionada ao poder da vida ou poder de engendrar a vida, e conecta com os entendimentos esotéricos sobre o falo masculino. Essa energia ou eletricidade, explicada em Chet [ח] como a chispa divina que se converte em uma consciência viva, pode ser evidenciada ou exagerada a tal ponto de ser emocionalmente percebida no ato sexual entre um homem e uma mulher. É essa energia vital o que move os homens, a chispa da vida, a serpente que todos levamos dentro, como um monstro que se move entre nossas costelas e navega por nossos nervos e cérebros. Essa energia é tão vital, que os seres vivos possuem esse entendimento gravado em seu código genético, pois aquele ser que não serve para reprodução, logo fenece e morre. De uma forma ou outra, há de manter essa chama viva para seguir existindo, esse é o chamado Grande Agente Mágico pelos magos de todas as ordens esotéricas que se prezam, assim como denominam de Kundalini o movimento ou o fluir dessa energia por nossos corpos. Aquele que domina e sabe utilizar sua serpente, entende a mecânica da realização da Grande Obra, mas não se realiza a Grande Obra, dominando sua serpente, mas domina a sua serpente, aquele que realizou a Grande Obra ou seja, que o domínio da serpente é simplesmente a constatação da atuação da [presença divina] em seu interior, porque é ela quem realiza as obras, nosso trabalho está apenas em permitir sua presença. Aqueles que trilham seu reto caminho pelo sendeiro de Chet [ח] possuem o equilíbrio justo, perfeito e divino em seu interior, em seu vaso interno ou recipiente, possibilitando ser habitado pela presença divina, para assim poder atravessar o umbral de Chesed [חסד], em um movimento ascendente, de desapego das coisas do mundo dos fenômenos. Esse movimento ascendente ou desapego está profundamente atrelado aos conceitos do [amor], pois amar é dar sem esperar nada em troca, sequer esperar por um obrigado ou ser correspondido pelo fato de haver dado, por isso Chesed [חסד] é entendida como uma Sefirá de caridade e portal para os mundos superiores. Aqui a alma já realizou seu trabalho e agora pratica a caridade, o desapego. Aquele que está em Chesed [חסד], já executou seu trabalho e agora recebe seu salário. Chesed [חסד] é o momento do recebimento da recompensa, porque ao mesmo tempo em que a alma dá, recebe a recompensa da elevação aos mundos superiores.

9.3 A letra Tet [ט] é escrita [טית], palavra que vale [9+10+400=419=14=5], valor que conduz à letra Hei [ה]. A sobreposição de ambas letras demonstra que há uma semelhança entre as duas, mas ¿ quais são as diferenças entre elas? Hei [ה] não tem seu lado esquerdo conectado com o direito e seu lado direito não está encurvado, tal e como o rabo de uma serpente. Seu lado esquerdo é uma Yud [י] inferior, entretanto, Tet [ט] tem por sua esquerda a letra Zayin [ז], que vale 7. Se separo Tet [ט] em duas partes, obtenho Zayin [ז] pela esquerda e Bet [ב] pela direita, o que resulta em [7+2=9], valor da letra Tet [ט]. É sempre surpreendente desvendar a matemática das letras e descobrir que não há erros, as contas são simples e sempre fecham, algo como se os codificadores da Torá quisessem deixar um registro de que não eram leigos ou ignorantes e que possuíam uma sabedoria além de seu tempo, algo tão profundo que o atribuem ao Criador. Gosto de pensar que houve uma civilização que usou a mente para melhorar a vida de seu povo e que registrou seus conhecimentos em um texto muito bem amarrado, com códigos que permitissem comprovar se o original foi alterado, para assim preservar sua pureza. Provavelmente, o caldeirão onde foram cozidos todos esses ingredientes seja a cidade de Aquetaton, capital do faraó Aquenáton. Desvendadas essas conexões com outras letras que possuem seus próprios significados, torna-se possível extrair entendimentos, conceitos que ajudam a revelar as mensagens ocultas nas letras e nos textos em hebraico. Tet [ט] é a serpente em chamas, as chamas da espada de Zayin [ז] – é a espada flamejante, a chispa divina que deve ser introduzida nesse caldeirão que vai gerar uma nova vida. Não estou falando dos significados fisiológicos da procriação, esses estão evidentes, falo das formas como o universo foi codificado para que houvessem possibilidades para o surgimento da vida. Se tudo começa com energia pura, – a mesma energia expressa na famosa fórmula de Einstein, onde e=m.c2 – e nesse princípio não havia a matéria tal e como a conhecemos, somente pura energia em temperaturas e velocidades de expansão inimagináveis, então ¿como pode essa energia portar todas as fórmulas do universo?, enfim, tudo estava pensado, programado para ser assim, com a energia convertendo-se em matéria, formando estrelas de todos os tipos, buracos negros, galáxias, planetas, energias ainda desconhecidas, e todas as fórmulas que definem como tudo se relaciona por meio de leis físicas, então temos as fórmulas para que ocorram as condições necessárias para o surgimento da vida, fórmulas e elementos necessários para que isso ocorra, o processo de seleção natural e os diferentes tipos de tecidos celulares que foram sendo forjados em todo o universo, olhos, sangue, pele, cabelo, fígado, rins, escamas, penas, toda a complexidade do cérebro e assim por diante, provavelmente um algoritmo de possibilidades infinitas, tudo, absolutamente tudo já estava contido nessa energia primordial que hoje chamamos de Big Bang. Pois bem, Tet [ט] é tudo isso; ela é o rabo de fogo, uma espiral de geração, um símbolo representativo da criação do universo, ela é o forno de Bet [ב] e a espada de fogo de Zayin [ז], ascendendo esse fogo em seu útero, é o ser racional observando seu final, tal e como está representado na letra Hei [ה], é o ciclo que se repete em uma espiral universal, que abarca o macro e o micro. Por isso os cabalistas encaixam Tet [ט] na sefirá Yesod, símbolo de geração, mas com pureza, com divindade. Tet [ט] explica o objetivo da existência, que é o da formação de seres inteligentes, que possam algum dia chegar a pensar divinamente, com entendimentos tão avançados que o possibilite comunicar com o superior; e a partir desse ponto possa estar conscientemente ao lado do Criador. Por isso essa letra é entendida como um selo de proteção, de refúgio e de continuidade da vida, pois a continuidade da existência dos seres pensantes é, por lógica existencial, meta de um universo que quer ser entendido, decifrado, abarcado e, eventualmente, transcendido. Se Hei [ה] é a chave, Tet [ט] é a fechadura da porta de Dalet [ד], porque [5+4=9]. Quando olho pelo buraco negro dessa fechadura, vejo uma energia sendo transformada pela pureza do amor, algo como Chesed abrandando o coração de Gueburá, em um equilíbrio de forças, uma transcendência sobre os desejos, algo que resulta em elevação espiritual em um âmbito multidimensional, algo que transcende e permite o arrebatamento, ao abrir o portal ao extra físico, mundo da pureza. Tet [ט] também é a união de Zayin [ז] com Kaph [כ], pois [7+20=27=9], é o homem portando uma tocha, indo iluminar o interior de sua caverna ou seja, é aquele que leva luz para dentro de si mesmo.

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Referências Bibliográficas:
1 Jewish Encyclopedia
2 Torá.
3 Zohar.


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quinta-feira, 20 de agosto de 2020

Minha Romã de Pomar #8

ח

myorchardpomegranates 8 - Chet [ח]

8.1 A letra Chet [ח] é a primeira letra do nome [Eva], que tanto em hebraico [חוה] [rava], quanto em árabe [حواء] [hawa], procede da raiz [vida]. Eva [חוה], que vale [8+6+5=19=1], significa [a vivente], [a mãe dos viventes] e tem raízes como [rai] [חי] [vivo] [animado] e [rai’im] [חיים] [vida] e [vidas]. O nome [Adão], tanto em hebraico [אדם] [adam], quanto em árabe [آدم], possui raiz [sangue] [damah] [דם] e argila [terra vermelha], [terra fértil]. Adão [אדם] vale [1+4+40=45=9], portanto a soma de ambos [1+9=10=1] ou o que é o mesmo [19+45=64=10=1] simboliza que na união do homem com a mulher está a unidade com o Criador. Eva, com valor 19, revela que ela é [9+1] ou seja, ela é capaz de gerar algo além dela, uma nova vida, mas o homem não pode, pois vale apenas 9. Entretanto, a chispa divina está no espermatozoide, hoje podemos afirmar cientificamente esse entendimento, porque está comprovado pela ciência4 que os espermatozoides, para mover de forma helicoidal como movem, liberam por sua calda, uma carga elétrica na forma de íons, denominados prótons Hv1 pelos cientistas, portanto possuem carga elétrica, transportam a chispa que possibilitará que o feto tenha eletricidade [consciência], desde o momento da fecundação do óvulo. Também há estudos5 que revelam que o óvulo libera grande quantidade de zinco no momento da fecundação, algo como uma explosão de zinco, comprovando que ao entrar no óvulo, ocorre algo como se o espermatozoide desse um choque no óvulo ou uma transferência de carga, fazendo com que o óvulo proteja suas paredes para deter a entrada de outros espermatozoides. Adão [םאד] começa com Alef [א], que reforça o entendimento sobre a chispa divina, por sua conexão com o tetragrama sagrado e sua simbologia ligada à energia em movimento, seguida pela Dalet [ד], que simboliza a passagem para outra dimensão, a morte, com o qual a chispa vai de encontro a seu destino que é nascer para morrer, finalmente terminando com Mem [ם], letra que conduz ao triângulo das águas, Sha’Mayim [שמים], [mar, água e céus], um entendimento de que somos convidados à participar da Criação. Em definitiva, é o homem quem dá a vida, por meio do espermatozoide que leva a chispa, a eletricidade, a mesma que ficará alojada no cérebro do novo ser até o momento de sua morte, e a mulher é quem dá o direito de morrer, pois permite o nascer para que possamos morrer algum dia.

8.2 A letra Chet [ח] tem valor 8, indicando um ciclo infinito. De fato, esse é o símbolo utilizado para representar valores infinitos []. Essa letra é o símbolo da vida que se repete dentro do vaso da vida que é a Criação divina. Perceba que ela está fechada [ח], não possui janela pelo lado norte, tal e como a letra Hei [ה], e suas hastes verticais são onduladas como a espada flamejante [ח], indicando que este vaso está cozendo algo, a vida. Chet [ח] revela que a Criação está sendo realizada no mundo de abaixo, mas está ligada ao mundo superior. Ademais, indica que o caminho é reto, de oeste a leste, pois aquele que se desvie para o norte ou para o sul, queimará ou o que é o mesmo, sofrerá. Não há abertura para o leste, indicando que a passagem a um mundo superior requer um ritual de passagem, relembrando os significados do ritual de passagem do Juízo de Osíris, com o qual, o ciclo se repete, reforçando o 8 como valor representativo do ciclo que se repete infinitamente, e revelando que o mundo dos fenômenos é como um calabouço ou caverna, onde todos que ali estão são escravos e o trabalho a ser realizado é o de lograr escapar desse mundo de ilusões. A tendência é ficar preso nesse mundo, atraídos como as moscas que seguem a luz, seja ela a luz da fogueira do Norte ou a luz da fogueira do sul, onde queimamos para renascer, como no conto do fênix que renasce das cinzas.

8.3 Também é com a letra Chet [ח] que se inicia a palavra Chesed [חסד], considerada como o portal entre o mundo físico e o espiritual, pelo qual somente podem alcançar a ascensão os imbuídos de caridade, e para alcançar esse estado há a necessidade de transcendência sobre todos os egos ou seja, somente aquele que realizou sua Grande Obra, transcendendo sobre as 7 de abaixo, pode optar por atravessar o umbral de Chesed [חסד], o mesmo portal que está representado pela letra Chet [ח]. 

8.4 Echad [אחד] significa unidade correspondente ao número 1. Aqui Alef [א] e Dalet [ד] indicam e reforçam o entendimento da letra Chet [ח] como o vaso ou recipiente que se encontra entre a vida e a morte. Ademais, coloca em evidência o Juízo de Osíris, ao indicar que somente atravessará o umbral entre mundos, aquele que conseguir unir seus pedaços, suas partes que compõem sua alma. Somente aquele que realiza sua Grande Obra, tornando-se Uno consigo mesmo, entrará na Israel Celestial.

8.5 Sacrifício [דבח] [debach] [no sentido de ritual do sacrifício] é uma palavra que indica um caminho de renascimento, onde ao atravessar a morte, indicada pela Dalet [ד], regressamos ao vaso primordial, representado pela letra Bet [ב] ou seja, simboliza um renascimento. A soma dessas duas letras vale 6 [4+2], reforçando esse entendimento e conexão com o mundo físico, porque esse é o valor da Vav [ו] e dos dias que trabalhou Deus na Criação do mundo. Somente ao revelar essa letra oculta na palavra Sacrifício, a letra Vav [ו], podemos entender os conceitos de retidão encontrados nos significados ocultos da letra Chet [ח] [como sendeiro espiritual e portal do acima e do abaixo], pois Vav [ו] simboliza o caminho da elevação sem rodeios, em uma vertical que termina numa Yud [י]. Dito isso, os entendimentos da palavra sacrifício e sua relação com Chet [ח] não podem ser outra coisa que o segredo da existência, o segredo do regressar e do não regressar. A elevação se consegue evitando o fogo das paredes de Chet [ח] e essa travessia supõe um sacrifício, mas não no sentido de dor, e sim no sentido de abdicação do desejo de ficar no mundo dos fenômenos, sentindo o ardor das paixões e o apego às virtudes, porque se você já trabalhou nos 6 dias, no sétimo descansará. Aquele que não realizou seu trabalho, sua Grande Obra, precisará regressar para tentar imitar o Criador em seus 7 dias da criação do mundo, utilizando seus dons durante toda sua vida. Perceba que são 7 as Sefirót de abaixo, mas como citado anteriormente estamos em Chesed [חסד], com o qual realizamos a Grande Obra alcançando os entendimentos de Chesed [חסד], resolvendo as outras 6 e descansando em Chesed [חסד], por isso [damos] em Chesed [חסד], em Chesed [חסד] somos caridosos porque estamos livrando-nos de tudo para poder atravessar o portal do não regresso, esse é o segredo de Chesed [חסד], a Sefirá da caridade. Chet [ח] é como uma carruagem de fogo, pois nosso mundo está em movimento contínuo, onde a vida é mantida pelo calor das estrelas. A carruagem é o nosso universo e enquanto estamos realizando nossa viagem, nossa vida no mundo dos fenômenos, Chet [ח] indica que estamos suscetíveis a queimar, a sermos sacrificados. Os rituais do sacrifício são então como uma advertência, um lembrete para que não esqueçamos que a qualquer momento podemos cair e regressar, em um ciclo que se repete, simbolizado pelo número 8 de Chet [ח].
8.6 Chet [ח] é a inicial da palavra [חן] [Chen] [Graça] e sobre essa palavra há algo interessante a saber. Notariqon, gematría y temurah são três métodos cabalísticos usados para reordenar palavras e orações na Torá e derivar o substrato esotérico e significado espiritual mais profundo das palavras na Torá. O Notariqon também foi usado na protociência denominada Alquimia e é um derivado da palavra latina "notarius", que significa estenógrafo. Com este método, uma palavra totalmente nova é construída a partir de outras já existentes, usando as letras iniciais ou finais dessas palavras e combinando-as. Alternativamente, uma frase pode ser formada tomando cada letra de uma determinada palavra separadamente e incluindo cada uma delas em outra palavra. Exemplo: a doutrina da Cabala é denominada [Chokmah Nistorah] [חכמה נסתרת] [ Sabedoria Oculta]. Pegando a primeira letra de cada uma das duas, obtemos [חן] [Chen] [Graça]. O que se entende é que a prática do estudo cabalístico, preenche de Graça ou Shekhinah [שכינה] [Presença Divina] a todo aquele que a pratica.

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Referências Bibliográficas:
1 Torá.
2 Zohar.
Sabbah, Roger - Secrets of the Exodus.
Voltage-gated proton (Hv1) channels, a singular voltage sensing domain.
La chispa mágica que se produce cuando un espermatozoide fertiliza un óvulo.
6 Regardie, Israel - Un jardin de granadas.

© Lúcio José Patrocínio Filho

sexta-feira, 14 de agosto de 2020

Minha Romã de Pomar #7

ז
myorchardpomegranates 7 - Zayin [ז]

7.1 A letra Zayin [ז], por sua forma, estabelece uma conexão com a simbologia da espada, o que introduz um conceito de fé inquebrantável e uma coragem de quem nunca abandona sua espada nos momentos de defensa das coisas que acredita serem justas. 

7.2 É a letra central do nome Razael [הזי], recordando que funciona como a ponta de uma espada, que sustenta o equilíbrio e a força do guerreiro. Uma espada emana poder, ao mesmo tempo em que o absorve, como um báculo ou vara mágica e como um para-raios, pois uma espada pode ser utilizada para realizar as obras do acima e do abaixo, mas quando o guerreiro é elevado, sua espada está com a ponta para baixo, indicando transcendência sobre os vícios. É o alcançar o degrau número 7, a Sefirá Chesed [חסד], mas é difícil encontrar essa conexão com elementos de caridade e benevolência em um símbolo tão conectado com a morte, quanto é uma espada, afinal esse número primo pode ser desdobrado em 4+3, dois números que são um mundo de referências esotéricas, como o 4 com a morte e o 3 com a elevação espiritual. Contudo, se exageramos, podemos chegar a entender essa conexão, analisando as bombas atômicas, um poder tão desproporcional, que alcançou o status da [arma que não deve ser usada], mas que sim deve ser possuída, para garantir a paz entre potências mundiais. A espada tem esse significado em seu esoterismo, [aquele que porta um poder], também deve estar dotado da responsabilidade dos sábios. Esse [poder] não precisa ser necessariamente físico, pode ser o poder da palavra, afinal a língua corta tanto como uma espada e entre língua e espada há um profundo conhecimento esotérico. Tanto a língua, quanto a espada, requerem ação, há a necessidade de que sejam colocadas em movimento e a palavra para isso é Zaz [זז], escrita com duas Zayin [ז]. Em Salmos 57:5 temos: [No meio das nações porei as chamas dos homens, tanto lanças, quanto flechas e suas línguas afiadas pela espada.]
Salmos 57:5 Hebraico
 
7.3 Essa letra é como a agulha de uma bússola, a agulha dourada de Zayin [ז], que aponta o caminho dos bons, um caminho retificado. Afirmo que é dourada, porque essa é a primeira letra da palavra [זהב] [zahab] [ouro], invocando a alquimia dos metais, onde o ouro alquímico simboliza o encontrar a pedra filosofal, a qual está oculta nas profundezas de si mesmo ou o que é o mesmo, significa encontrar a retidão em seu caminho.

7.4 Por gematria a letra Zayin [ז], que vale 7, está conectada com os significados do [שבת] [Shabat - sábado] ou seja, o sétimo dia. Nesse sentido estão as palavras associadas ao Shabat, que também possuem valores 7, como vinho [יינ], pão חלה], carne [בשר], pescado [דג] e vela [נר]. Também podemos traduzir [זין] Zayin por [arma e membro masculino]. Vav [ו] vale 6 e Zhain [ז] vale 7, além de serem muito parecidas, indicando uma relação com a numerologia da criação do mundo, onde o Criador [criou] o mundo em 6 dias e descansou no sétimo, mas nem por isso deixou de portar sua espada ou seja, restringiu Seu poder para criar o mundo, mas Ele continua sendo o Tudo, com o qual não restringiu seu poder.

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Referências Bibliográficas:
1 Torá.
2 Zohar.
Sabbah, Roger - Secrets of the Exodus.
4 Salmos 57:5

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quinta-feira, 13 de agosto de 2020

Minha Romã de Pomar #6

ו
myorchardpomegranates 6 - Vav [ו]

6.1 A letra Vav [ו] está repleta de significados. Netzach é a magnanimidade e a vitória. Pode ser titulado de “O Senhor dos Exércitos”, pois está sob a luz da revelação e da profecia. Não só está no sul, mas também está elevado, pois representa o sol do meio-dia e a estrela flamejante que se encontra sobre ele. Está acima e Hod está abaixo em relação ao Oriente. Ao traçar uma linha reta que os conecta, temos uma coordenada cartesiana no espaço do Templo de Salomão. Neste ponto, a letra Vav [ו], que tem valor 6, demonstra que Chesed e Geburah são o eixo x, Tiferet e Yesod o eixo y, e Netzach e Hod a coordenada, representando as seis direções do espaço físico e demonstrando que o caminho inicia-se da escuridão e segue na direção da luz. 

6.2 A letra Vav [ו] simboliza a serpente e a porta ardente do templo.

6.3 O Consorte de Malkuth. Assim é chamado as 6 Sephiroth que acompanham Malkhut no abaixo, Chesed, Geburah, Tiferet, Netsach, Hod e Yesod. Este consórcio está representado pela letra hebraica Vav (ו), um símbolo fálico, cujo valor gemátrico é 6.

6.4 Desde os filósofos pitagóricos, como Hipaso de Metaponto, a quem é atribuída a descoberta dos números irracionais, todos sabemos que vivemos no mundo das dimensões e que a nossa é a terceira, a quarta se consideramos o tempo, assim como sabemos que todas as dimensões começam pelo ponto, que com dois deles fazemos uma reta e com três temos um triângulo, até alcançar o cubo tridimensional, para finalmente adicionar a quarta dimensão, o tempo. Assim temos a Letra Vav [ו], que começa por uma Yud [י], que não é mais que um ponto, e que desce para formar uma reta vertical. Esse traço utilizado para desenhar a Vav [ו], revela o código das dimensões, pois oculta as chaves para a construção do mundo em que vivemos, o ponto e a reta, mas não um ponto qualquer, e sim o ponto que vale 10 e que representa o nome do Criador, sendo que a Vav [ו] vale 6, representando os dias da criação do mundo. Em definitiva, essa letra abarca os conceitos da arquitetura do universo, ainda que a letra Shin [ש] provoque outro entendimento mais restritivo, que veremos nas Romãs dessa letra.

6.5 A letra Vav [ו] tem a forma de um prego, invocando a simbologia dos construtores. Esse é o prego que une uma peça com outra, que segura um telhado, que se constrói uma casa, que segura uma construção, uma vez mais deixando notas, que abarcam os simbolismos relacionados com a criação do mundo. 

6.6 A letra Vav [ו] aparece também como na porção superior da letra Lamed [ל]. Sobre essa conexão com Lamed [ל] encontramos um profundo simbolismo relacionado ao coração e à Árvore da Vida, muito comentado pelos cabalistas e que veremos nas Romãs dessa letra.

6.7 A palavra Tov [טוֹב], que significa [bem, bom, belo], e é a palavra que significa o bem na árvore do conhecimento. Possui a letra Vav [ו] em seu centro, indicando que o alcançar o belo requer que um trabalho seja realizado, não se consegue alcançar o belo sem trabalho. Essa palavra sugere que o mundo é bom, e assim, como uma semente que esconde dentro de si uma árvore e deve ser enterrada nas profundezas da terra para que germine, cresça e floresça, assim é a beleza daquele que trabalha para alcançar o belo, com seu interior sensível e belo, deve deixar-se afundar nas profundidades das águas de abaixo, agarrado na barbatana de um golfinho angelical, deixando-se morrer em seu contrário, para finalmente ressurgir pelas águas de cima, deixando ver uma perfeição que antes estava oculta, e assim todos dirão o quanto é belo. Se [o trabalho dignifica o homem], Vav [ו] revela que [o trabalho embeleza o homem].

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Referências Bibliográficas:
1 Torá.
2 Zohar.
Sabbah, Roger - Secrets of the Exodus.
4 Walking with God, pág. 73.

© Lúcio José Patrocínio Filho

sexta-feira, 7 de agosto de 2020

Minha Romã de Pomar #5

ה
myorchardpomegranates 5 - Hei [ה]

5.1 A letra [ה] é reveladora porque mostra um homem de pé, observando como sua obra alcança os céus. Sua forma está composta de uma Yud [י] abaixo à esquerda e uma Dalet [ד] na direita, indicando [10 + 4 = 1 4 = 1 + 4 = 5], revelando seu valor 5 e indicando que tem conexões com os significados da Yud [י] e Dalet [ד].

5.2 Quando observo suas formas, percebo que sou tal e como a letra Hei [ה], e aqui estou eu, submergido em um ambiente nebuloso, de aspecto medieval, teto alto como o de uma catedral, em um Templo escuro e denso, pertencente a algum passado distante. Encontro-me de pé a observar o altar e as cadeiras de madeira ornamentada, dispostas à minha esquerda e direita, sinto um aroma forte de incenso e sua fumaça a nublar mentes e almas. Velas acesas de sete em sete e um antigo e robusto pergaminho enrolado. De pronto giro-me para ver a porta do Templo e percebo a presença de pessoas estranhas, em roupas escuras, chapéus espirituosos, parece que há muito deixaram de existir neste mundo, mas sinto como se fizessem parte de mim ou que parte deles está em mim. No lugar da porta do Templo há um enorme espelho, mas nele não me vejo, ofuscado por estas pessoas que estão entre ele e eu. Então, cada um desses estranhos conhecidos, olha no fundo dos meus olhos, recita uma despedida e entra no espelho. Contudo, sinto que não estão ali para julgar-me, e sim para serem julgados, e por isso clamam por algo. Cada um daqueles espíritos deixa-me palavras, ato seguido entra no espelho, que pouco a pouco vai deixando de ser negro, para voltar a ser reflexivo como um espelho, revelando-me a mim mesmo, permitindo-me ver o meu maior inimigo, agora entendo porque sou Hei [ה], pois sou como um Rei diante do espelho da alma, tentando encontrar algo, mesmo sabendo que este algo está em mim mesmo. 

5.3 A letra Hei [ה] tem significados de conexão com a alma e remete ao sopro divino, o hálito do hálito. Se você observar as formas dessa letra, perceberá que se assemelha a uma casa com uma janela pela esquerda, e é por essa janela por onde circula o ar. Pronuncie [Reeeei] e verá que é como um sopro que sai pela garganta sem esforço e esvazia os pulmões, razão pela qual o lado inferior da letra está aberto. Hei [ה] tem uma Yud [י] pela esquerda, a qual, entre outros inesgotáveis significados, lembra uma língua que não interfere no sopro, indicando que Deus não influirá em seus pensamentos, portanto o que você fala, suas palavras e as consequências de suas palavras são responsabilidades suas. Hei [ה] está formada por uma Yud [י] [10] pela esquerda e uma Dalet [ד] [4] pela direita, totalizando 14 ou seja, temos então o valor da letra Hei [ה], que vale [10+4=14=5]. Essa letra então, revela um precioso segredo, pois se você tinha dúvidas da existência de outras dimensões, aqui encontra respostas, porque são [4+1], as 4 dimensões e você ou as 4 Árvores da Vida a serem percorridas e uma dimensão final ao lado do Criador. Lembre-se que a leitura do hebraico tem sentido direita para a esquerda, suas palavras são sopros que transportam suas vibrações, portanto além de todos os seus significados, a frequência de seus pensamentos ou para ser mais físico, a frequência da eletricidade que trabalha em seus neurônios e em todas as células do seu corpo estarão modulando o ar que sai por seus pulmões, com o qual, o ato de falar, revelará quem você é e como você está. Por isso vemos uma Yud [י] pela esquerda, ela está ali como um aviso de que nossas palavras devem ser sempre elevadas, porque se elas conduzem vibrações, afetarão as vibrações dos demais.

5.4 A letra Hei [ה] é análoga do hieróglifo [o Grande Deus] ou seja, o criador dos céus e da terra. É a quinta letra do alfabeto e pronuncia-se respirando desde a profundidade da garganta, o que faz com que seu significado original seja [respiração]. Em sua forma abstrata, serve para escrever o nome de Deus [Hashem], a qual os fiéis são proibidos de pronunciar. 
"Estas são as origens dos céus e da terra ao serem criados; no dia de fazer, o Eterno Deus [Elohim, Javé], terra e céu." Bereshit 2:4.
Rashi comenta sobre seu significado, afirmando que [É com o Hei [ה] que os céus e a terra foram criados], isto é, pelo sopro de Deus. O mesmo ocorreu no Antigo Egito, segundo Christian Jacq: [Os Textos das Pirâmides afirmam de forma clara a realidade de um poder divino único, inacessível ao espírito humano.] [Grande Deus, cujo nome é desconhecido...] O sinal hieroglífico é graficamente idêntico. Sua tradução, "o Grande Deus", é extremamente próxima do simbolismo da letra Hei [ה].

5.5 A Hei [ה] tem um valor numérico de cinco, que corresponde aos cinco livros da Torá [Antigo Testamento)], bem como aos cinco capítulos de [O Grande Papiro de Harris]. Também recorda os cinco Grandes Nomes das marés reais dos faraós desde o tempo do Novo Reino.

5.6 A Hei [ה], um sinal divino, é encontrado na tumba de Tutancâmon. Nas Cartas de El Amarna da cidade de Aquetaton, o faraó Aquenáton é chamado [o sopro] por seus vassalos, os cananeus e os reis fenícios: [Meu país e meus irmãos, servos do rei, meu senhor, e servos de Tutu, meu Senhor, ficamos encantados, quando o sopro do rei, meu Senhor, chega.] (Extrato de uma carta de Aziru, chefe dos Amoritas, EA 164).

5.7 O termo para homem é Íshy [איש] e o termo para mulher é Ishah [אשה]. A Yud [י] de Íshy e a Hei [ה] de Ishah formam Yah [יה], que é o prefixo para o nome de Deus [יהוה] [o tetragrama sagrado]. Íshy sem a Yud [י] e Ishah sem a Hei [ה] formam a palavra Êsh [אש], que significa [fogo], revelando que o nome de Deus só está presente na união entre homem e mulher.

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Referências Bibliográficas:
1 Torá.
2 Zohar.
Sabbah, Roger - Secrets of the Exodus.

© Lúcio José Patrocínio Filho

quarta-feira, 5 de agosto de 2020

Minha Romã de pomar #4

ד
myorchardpomegranates 4 - Dalet [ד]

4.1 Dalet [ד] é o sinal de Deus na cultura do Antigo Egito. É uma caricatura de Ré, o deus sol, de quem a vida na terra emana. O Dalet [ד] tem a forma do hieróglifo [Deus é único]. As letras Dalet [ד] e Resh [ר] simbolizam a faixa da cabeça do faraó em seus elementos horizontais. O ponto que aparece no lado superior esquerdo é uma evocação ao uraeus real ou víbora sagrada e a parte de baixo da cauda da serpente protetora. Nos pergaminhos mais antigos, o símbolo do uraeus é sempre evidente. A Resh [ר] significa rosh [cabeça], evocando a cabeça do faraó. O hieróglifo correspondente a ela, representa a serpente divina unida com o Faraó. O uraeus, símbolo nas letras hebraicas, é a letra D de Dalet [ד], um emblema de poder e medo e uma parte fixa da banda, que circundava a cabeça de Tutancâmon, a qual termina com duas tiras verticais, como as filactérias dos hebreus, que são usadas até hoje: [e isto será como um sinal sobre o teu braço e como uma fronteira [totaphot]4 entre os teus olhos, porque com mão forte o Senhor nos tirou do Egito] Êxodo 13:16. No egípcio, o bandolete real é chamado Seshed ou Seshad, e é escrito foneticamente como 5-Sh-D. O hieróglifo Seshed transcreve foneticamente para o hebraico com três letras Shin-Shin-Dalet [ששד], visíveis nas filactérias ou tefilin [quando usadas na cabeça] dos hebreus. No lado esquerdo do estojo está a Shin com quatro ramos e, no lado direito, o clássico Shin. A Dalet [ד] é representada pelo nó na parte de trás da cabeça.

4.2 Dalet [ד] significa "porta" e era originalmente um desenho bruto de uma porta de barraca. Mais tarde passou a significar qualquer tipo de porta. Ela sugere o poder de deixar entrar ou bloquear, segurar ou soltar. Mesmo em alguns entendimentos cabalísticos, Dalet [ד] também está relacionada ao significado de uma porta como um meio de entrada e saída, como uma passagem a outro mundo ou dimensão. A porta sempre foi um símbolo feminino, que representa nascimento, reprodução e entrada para a vida em manifestação ou de saída para o espiritual. Algumas autoridades, na verdade, dizem que essa letra representa o útero, a porta da vida pessoal, abrindo-se para receber a semente, fechando-se para reter o germe da vida durante o período de gestação e abrindo-se novamente para enviar a nova criatura ao mundo ou simplesmente como um portal da reencarnação, indicando que o indivíduo morre, passa por uma prova do fogo e renasce, tal e como no conto do fênix, que renasce de suas cinzas. O substantivo grego [delta], derivado do hebraico Dalet [ד], representa os órgãos femininos de geração e o acúmulo de terra aluvial na foz de um rio, como quando falamos do delta do Nilo, assim como [delta] é o nome da quarta letra do alfabeto grego correspondente a Dalet [ד]. Em sua forma original, lembrava uma porta de tenda, um triângulo equilátero, tal e como O Olho da Providência, também chamado Olho Que Tudo Vê, Olho Panóptico ou Delta Luminoso, um símbolo interpretado como a vigilância e providência de Deus sobre a humanidade. Nesse sentido, podemos interpretar suas formas para perceber que sua barra vertical é ondulada como o fogo de uma fogueira ou a espada flamejante dos querubins que guardam os portais do Éden. Sua barra superior tem à esquerda o uraeus, a serpente egípcia que ornamenta a cabeça do faraó, e escapa um pouco à direita, revelando a forma de um navio que leva ao mundo espiritual. Em muitas culturas orientais, o número 4 é um símbolo da morte, na verdade Dalet [ד], tal e como Bet [ב] está aberta pelo lado norte, indicando que permite a entrada do mal, mas colide com uma porta ondulada e na forma de uma espada flamejante pelo lado sul, representando claramente uma passagem do mundo dos vivos para o mundo dos mortos, revelando que se deve passar pela prova do fogo, em alegoria à prova de pesagem da pena de avestruz e do coração na balança de Anúbis. Dalet [ד], em definitiva, oculta um ritual de passagem para o mundo dos mortos.

4.3 A palavra debakh [דבח] [sacrificar] começa com Dalet [ד] e vale [4 + 2 + 8 = 14 = 5]. Interessante ver como 14 é igual a 1 [de uma pessoa] ao lado do 4, valor da letra Dalet[ד], assim como a Yud [י] ao lado de Dalet [ד] na letra Hei, que vale 5. É o homem diante da morte ou melhor, diante de sua passagem pelo portal entre mundos, indicando um sacrifício, seu próprio sacrifício. O número 14 representa o princípio da razão suficiente5, [4] expresso através da concentração [1]. A verificação da hipótese obtida pelo raciocínio é realizada por meio da concentração, que nada mais é do que a focalização da atividade vibratória da serpente de fogo em um ponto definido do cérebro, razão pela qual encontramos a serpente uraeus no canto superior esquerdo de Dalet, assim como no tefilin encontra-se a Shin [ש] de 4 pontas. Os meios pelos quais a concentração é alcançada são simbolizados pela chama ou espada flamejante representada pela barra vertical à direita de Dalet [ד], direcionando a energia de cima para o plano inferior, indicando que não é que o fogo esteja subindo, mas sim baixa para queimar, para depois ver se o que foi queimado subirá como ondas flamejantes. O 5 é Hei [ה], letra que revela o 1 que está na frente de seu destino, o 4 ou seja, na frente de Dalet [ד], onde ele passará por uma verificação das forças do desejo, presentes em seu coração, para decidir seu destino, para saber se ele alcançará a consciência superior. Ninguém pode alcançar a perfeição sem sacrifício. Certamente, quem conhece o valor de seu objetivo não se sente perdido quando se liberta de todos os obstáculos que interferem em seu progresso. Nos estágios iniciais da Grande Obra, a pessoa é freqüentemente convidada a tomar decisões que parecem envolver algum tipo de sacrifício. A experiência mostra a falsidade de tais aparências, mostrando que todo ato de eliminação sábia torna possível a expressão de uma medida maior de poder. No início, entretanto, alguns desses testes são difíceis de lidar. Aqueles que falham, geralmente são os mais dispostos a garantir que não haja nada nas promessas da Sabedoria Eterna. Em certo sentido, eles estão certos. Há menos do que nada para os preguiçosos, para os indecisos ou para os medrosos. Menos do que tudo para pessoas que não têm coragem de enfrentar períodos de aparente fracasso. Quem busca o superior deve ter fervor, deve estar em uma rebelião ardente contra as limitações e a escravidão da ignorância. Para seguir em frente, diante de probabilidades que parecem impossíveis, ele precisa ser preenchido com um desejo intenso e concentrado de demonstrar, por experiência real, que ele é, autêntico e verdadeiro. Mas fervor não é suficiente. Nenhuma pessoa foi libertada simplesmente porque tinha um desejo ardente de liberdade. A força ígnea da natureza do desejo deve ser dirigida. Esse é o significado da chama de Dalet [ד], que indica para onde os esforços devem ser direcionados. Aí entra a temperança, o ato de temperar, templar ou a capacidade de equilibrar os temperos certos para obter o melhor sabor. O propósito do templar é impartir mais fortaleza ao que é templado. Na Grande Obra, esse objetivo é alcançado pela mistura adequada de forças opostas ou seja, pela aplicação da Lei do Equilíbrio. Essa é a beleza da letra Dalet [ד].

4.4 Dalet [ד] significa a sefirah Malchut. A palavra [דל] [Dal] significa [pobre]. Malchut é chamada de [pobre], uma vez que não tem nada próprio para oferecer e recebe tudo das outras nove sefirot.6, indicando que quando morremos, não levamos nada, mas recebemos tudo.

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Referências Bibliográficas:
1 Torá.
2 Zohar.
Sabbah, Roger - Secrets of the Exodus.
4 TOTAPHOT, s.m. (Hist. Judaica.) Termo hebraico, traduzido pelos gregos como [ἀσάλευτοι, e como ἔνεκθα], encontrado em vários lugares das Escrituras. Os críticos são muito divididos no significado dessa palavra; alguns acreditam que é egípcio, e que isso significa algum tipo de ornamento que não é bem conhecido por nós. A Septuaginta traduz por coisas imóveis e Áquila por pingentes. Os parafrasts caldeus às vezes o traduzem por tefilim, preservativos; e às vezes com uma tiara, uma coroa, uma braçadeira, aparentemente prestando atenção ao uso dos judeus de seu tempo, que confundiam o totaphot com tiras de pergaminho que usavam na testa. Alguns rabinos querem que signifique um espelho; outros, como Oleaster Neyer, Grotius, afirmam que em egípcio significa lunetas. Scaliger e Ligfoot explicam por amuleto, filactérios, preservativos; Samuel Petit, por figuras obscenas que os camponeses usavam na forma de preservativos. São Jerônimo acredita que, por esse termo, devemos entender os tefilins ou tiras de pergaminho sobrecarregados com passagens das Escrituras, que os judeus da Índia, Babilônia e Pérsia, e especialmente os fariseus, afetados por usar em seu tempo. O padre Calmet acredita que totaphot significa pingentes que se coloca na testa e pendurados entre os olhos; mas ele não descreve o que eles poderiam ser, nem por que razão são colocados assim. Ele apenas acrescenta que Moisés quer que a lei de Deus esteja sempre presente nos corações e mentes dos israelitas, como os totaphot estão sempre presentes no olhos daqueles que os usam, o que levaria a supor que esses totaphot eram os ornamentos de cabeça das mulheres israelitas. (Calmet, dicção da Bíblia, t. III p. 699.
)
5 É precisamente no conhecimento da morte pelo homem que Schopenhauer encontra a origem do que designa “necessidade metafísica do homem”, ou seja, o originário impulso humano para pensar a essência do mundo, aquilo mediante o que o mundo das representações, de conhecido, torna-se despropositado, vazio e insubstancial como uma miragem.
6 Rabbi Amiram Markel & Markel - The Knowledge of G-d (vol. 1).

© Lúcio José Patrocínio Filho

segunda-feira, 3 de agosto de 2020

Minha Romã de pomar #3

ג
myorchardpomegranates 3 - Guimel [ג]

3.1 Guimel [ג] é como um triângulo equilátero. 

3.2 É não dar um passo muito largo para não perder seu equilíbrio, o passo com os pés de Guimel [ג], e não estender muito as mãos para colher aquela romã que está nos galhos inalcançáveis da romãzeira para não acabar caindo do alto.

3.3 Guimel [ג] é uma letra que simboliza o temor a Deus, o culto da fé, porque Guimel [ג] é riqueza com amor, perceba que sua forma é como uma perna corre para fazer fortuna e suas mãos estão juntas ao céu, mostrando seus tesouros como se fosse uma recompensa que será utilizada para retificar.

3.4 Guimel [ג] revela profundos significados, assim como todas as demais letras, mas coloque a atenção nessa letra em especial para perceber que ela lembra uma pessoa em posição de oração, com as mãos ao alto. Essas mãos não estão vazias, estão mostrando um tesouro, esse tesouro são seus dons. Todos temos dons que nos foram concedidos para que possamos utilizá-los na realização da Grande Obra. Pesquise por essa expressão [Grade Obra]. Guimel [ג] mostra seus dons a Deus, mas acima de tudo está revelando um segredo, o de que devemos honrar a Deus com nossos dons, utilizando esses dons para realizar nosso propósito divino. [Honrar a Deus com perfeição é tornar nossa alma à sua imagem e semelhança], segundo essa máxima pitagórica, a honra que se presta Àquele que nada necessita, consiste em receber os dons concedidos por Ele, pois não se honra a Deus pedindo-Lhe coisas, dando-Lhe coisas ou dando-Lhe palavras de agradecimento, mas sim tornando-se digno de receber tais dons. Todo ato perfectivo deve ser ofertado a Deus, não na forma de agradecimento, mas na aceitação do dom merecido e fazendo bom uso dele; este é o verdadeiro culto pitagórico. É a intencionalidade da oferta o que será valorado, pois a piedade é agradável a Deus, incluindo aqui a piedade consigo mesmo.

3.5 Guimel [ג] é um junco com dois pés, símbolo do Faraó do período de Akenaton.3

3.6 Guimel [ג], fazendo o som da "G", não está diretamente associada a um deus egípcio. No entanto, há um símbolo hieroglífico que aparece no nome de Áton. Em seu cartucho há um símbolo pronunciado "yi" na forma de uma Yud [י] provido de duas pernas. Ele é usado na expressão "aquele que vem da luz de Áton" ou "aquele que reside à luz de Áton". Em hebraico, o verbo "residir" ou "habitar" é Gar [גר]. As duas letras desta palavra encontram sua analogia na expressão "quem reside" incluída no título de Áton. O símbolo egípcio expressa a ideia de movimento, já que emprega duas pernas. Ele emana luz e habita no disco solar. Este conceito, proveniente do próprio coração do Egito, e encontrado nos Textos das Pirâmides - enfatiza que Deus e o homem vêm da luz e vão em direção à luz.

3.7 A letra Guimel [ג] significa [camelo]. As formas primitivas da letra podem ter sugerido este animal porque a cabeça e o pescoço de um camelo têm alguma semelhança com um arco curvo. Além disso, o verbo hebraico gaumel [גמל], escrito com as mesmas letras que o substantivo Guimel, significa carregar uma carga, amadurecer [tal e como as frutas], compensar [para o bem ou para o mal] [recompensa e castigo].

3.8 O atributo cabalístico da Gueburá [גבורה] simboliza a pureza, a força e a severidade. Enquanto Chesed dá, ele recebe. Ele usa da severidade para fazer cumprir as necessidades do mundo físico. Enquanto Chesed é o Amor, Gueburá é o Juízo. Enquanto Chesed dá com razão e sabedoria, Gueburá constrói a riqueza. Ele é riqueza com amor, ele é Guimel [ג], que com sua perna corre para fazer fortuna, e com sua mão, mostra seus tesouros como se fossem uma recompensa que será utilizada para retificar.

3.9 Guimel [ג] tem uma interessante conexão com Chesed [חסד] e esse simbolismo foi bastante trabalhado por Michael Laitman e outros buscadores da verdade. O [desejo de doar] tende à equivalência de propriedades com o Criador. Essa é a razão de Chesed ser a mais elevada dentre as presentes no mundo de abaixo, sendo que nos mundos espirituais, esse [desejo de doar] é o que leva à união com Ele. Esse entendimento leva à compreensão dos porquês da Shekinah Guimel [ג]. Assim que a Luz encontrada na Criação alcança o nível de Ohr Hassadim, e Ohr Hochma está quase totalmente ausente [Ohr Hochma ou Hochma, como principal força vital da Criação], a Shekinah Bet [ב] começa a sentir essa deficiência. Assim, no final de seu desenvolvimento, atrai uma parte da Ohr Hochma, para que possa começar a brilhar dentro da sua Ohr Hassadim. Nesse momento, uma parte de seu desejo interno de receber, desperta novamente e forma um novo recipiente chamado Shekinah Guimel [ג] ou mesmo a sefirah Tifereth, pois essa tem conexões com os entendimentos das coisas de Guimel [ג]. A Luz interior é Ohr Hassadim, com a luminescência de Ohr Hochma. Portanto, a parte principal de sua Luz consiste de Ohr Hassadim, sendo Ohr Hochma menos significativa. Em seguida está a Shekinah Dalet [ד], pois o Kli4 [כלי] [vaso ou recipiente] da Shekinah Guimel [ג] também desejava atrair Ohr Hochma ao final de seu desenvolvimento, mas desta vez a desejava toda, como aconteceu na Shekinah Alef [א]. Do surgimento de um novo desejo de receber a Luz no Kli, embora minúsculo, surge a Shekinah Guimel [ג] ou Zeir Anpin. Enquanto Guimel [ג] dá e recebe, seu Kli começa a descobrir que o desejo do Criador é o de preenchê-lo completamente com a Luz, para que possa desfrutar infinitamente. Como o Kli já recebeu um pouco da Luz de Hochma, necessária para sua existência, agora decide receber o restante desta Luz. Esse é o Seu desejo, e o Kli continua recebendo Sua Luz. É isso que a Shekinah Guimel [ג] constrói. Existem dois desejos diferentes no vaso, o [desejo de receber] e o [desejo de doar], mas o [desejo de doar] prevalece. Ela não tem nada para doar ao Criador, mas seu "desejo de doar" existe nela e é preenchido com a Luz de Hassadim, que contém um pouco da Luz de Hochma, a qual preenche o "desejo de receber". Há apenas uma coisa que nos falta para revelar nossas almas, sentir que mesmo agora estamos no mundo de Ein Sof, que tudo brilha ao nosso redor e que não há limites. É a luz de Hassadim [misericórdia, amor, doação e ascensão acima do ego], que se manifesta em cada letra, permitindo perceber como emana de cada uma delas e essa emanação pode ser interpretada, revelando profundos entendimentos cabalísticos. No caso da Guimel [ג], sua Shekinah Guimel [ג] revela uma Ohr Hassadim muito completa, pois Guimel [ג] está de joelhos, com as mãos juntas e estendidas aos céus, tanto oferecendo seus dons, quanto recebendo a Luz do Criador, e como ela é a terceira letra do alfabeto, a que vem depois de Bet [ב],  que é a primeira letra da Torá e símbolo do vaso onde foi realizada a criação, indica que, assim como todas as outras letras saíram de Bet [ב] para formar parte da Criação, Guimel [ג] saiu em posição de doação e recepção dos dons concedidos pelo Criador.

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Referências Bibliográficas:
1 Torá.
2 Zohar.
Sabbah, Roger - Secrets of the Exodus, chapter 21.
4 Kli Rishon Um kli rishon [כלי ראשון, [primeiro recipiente]] é um recipiente que foi aquecido diretamente em uma chama ou outra fonte de calor. Mesmo quando removido da fonte de calor, esse recipiente mantém seu status de [kli rishon] e possui a capacidade de decretar [bishul] em qualquer tipo de alimento colocado dentro dele. Essa capacidade permanece até que a panela e seu conteúdo esfriem abaixo da temperatura do [yad soledet bo [יד סולדת בו], o grau de calor do qual a mão recua em ato reflexo. Rabino Simcha Bunin Cohen, The Shabbos Kitchen Mesorah Publications, Ltd. 1991, p.17. Dessa forma pode-se utilizar o termo Kli [K'li] para referenciar simbolismos referentes ao recipiente que abriga a alma.
5 Michael, Laitman - Várias obras.
© Lúcio José Patrocínio Filho

domingo, 2 de agosto de 2020

Minha Romã de pomar #2

ב
myorchardpomegranates 2 - Bet [ב]

2.1 Bet [ב] é a última letra da palavra Tov [טוֹב], e esta significa bem, bom, belo. Tov é a palavra que significa o bem na árvore do conhecimento. Essa palavra sugere que o mundo é bom, e assim, como uma semente que esconde dentro de si uma árvore e deve ser enterrada nas profundezas da terra para que germine, cresça e floresça, assim é a beleza humana, seu interior sensível e belo, que se deve permitir afundar nas profundidades das águas de abaixo, como um mergulhador, agarrado na barbatana de um golfinho angelical, deixando-se morrer em seu contrário, para finalmente ressurgir pelas águas do acima, deixando ver uma perfeição que antes estava oculta, e assim todos dirão o quanto é belo. Por isso, uma palavra que significa bom e belo, termina com Bet [ב], porque essa letra simboliza uma casa que tem seu lado norte aberto, indicando que o mal deve entrar para que ocorra uma transformação interna, porque somente dessa forma poderá alcançar o bom e o belo. Como primeira letra da Torá, é Deus iniciando a criação com um recado a quem possa entendê-lo, o de que Bet [ב] não está fechada ou seja, não é um quadrado perfeito, portanto está incompleta, Deus criou um mundo incompleto, deixando um lado aberto para que os seres possam participar em sua criação.

2.2 Nosso mundo físico pode ser representado pela letra Bet [ב] [valor 2 e símbolo da dualidade]. O plano da Bet [ב] é definido pela possibilidade do mal e da morte, enquanto que na perfeição do mundo da Alef [א], não há mal ou bem, porque não há possibilidades morais, assim como também não há tempo, portanto, o passado, o presente e o futuro, não existem no plano da Alef [א], ali tudo é indiferenciado, porque tudo está ligado à totalidade em sua raiz e porque no plano da Alef [א] existe apenas a eternidade, que é realmente a única coisa que existe. Toda existência temporal constitui uma inexistência em relação à eternidade de Ein Sof. Ver Alef [א].

2.3 Se eventualmente pudéssemos controlar as variáveis de tempo e espaço, entenderíamos melhor nossa relação com o mundo da Alef [א]. O esotérico intui o mundo da Alef [א], porque consegue "unificar" as partes fragmentadas do mundo da Bet [ב]. Agora, apesar da quantidade máxima de unificações que alcançamos no mundo da Bet [ב], sempre nos encontraremos neste universo. Devemos estar cientes de que, no plano da fragmentação existente neste universo Bet [ב], apesar do esforço máximo de unificação, sempre viveremos no processo de constante unificação, portanto, nunca conseguiremos alcançar a unificação completa.

2.4 Somos um fragmento do mundo da fragmentação [mundo da Bet [ב]], ao mesmo tempo em que somos um fragmento substancialmente derivado do mundo da unidade (mundo da Alef [א]).

2.5 Todo o mundo da Bet [ב] está contido no mundo da Alef [א]. Por esse motivo podemos distinguir duas letras Yud [י] na letra Alef [א], divididas por uma letra Vav [ו] no meio, o que significa que dentro da Alef [א] está o mundo da Bet [ב]. Se o mundo da Alef [א] representa o mundo da unidade, também podemos vislumbrar dentro deste essa dualidade. Alguns cabalistas sustentam que na Alef [א], a superior Yud [י] representa o mundo real da unidade, e a Yud [י] inferior representa o mundo da dualidade e que se encontram nas duas letras Hei [ה] do tetragrama. A letra Yud [י] vale 10 e a Hei [ה] vale cinco, o que leva ao entendimento de que a Yud [י] inferior divide-se nas duas Hei [ה] do tetragrama. Por outro lado, a Yud [י] superior, como unidade, representa as dez dimensões [sefirot] do mundo de Atzilut, que finalmente se tornam realidade nos três universos inferiores. Portanto, a inferior Yud [י] representa também as dez dimensões inferiores, que se tornam realidade material dentro do vazio. 

2.6 Todos queremos saber o que há e se há algo depois da morte física. Em termos de consciência divina, a morte como a conhecemos não existe. O que chamamos de "morte", dentro do mundo das letras hebraicas é entendido como a transição de um tipo de consciência divina no mundo da Bet [ב] para um universo de consciência no mundo da Alef [א], portanto são dois tipos diferentes de consciências. A energia individual faz sua consciência persistir em outros níveis além da matéria.

2.7 Como fragmentos que somos, possuímos partes fragmentadas de Sua consciência e, como tal, deixamos de perceber a consciência divina da Alef [א]. Por esse motivo, não alcançamos a verdade do plano da Alef [א], mas sim as perspectivas da verdade [Daat] no plano da Bet [ב].

2.8 As colunas do Templo de Salomão simbolizam os pares de opostos, claro e escuro, luz e escuridão, atração e repulsão, afirmação e negação, ativo e passivo, masculino e feminino, sul e norte, manifestado e imanifestado. Na coluna branca está Yud [י], a letra inicial do nome hebraico [יכין] Jakim. Na coluna negra está Bet [ב], a letra inicial de [בעז] Boaz. É fácil entender os segredos da Bet [ב], relacionados com suas conexões com o mal, mas um mal que deve ser entendido não como algo ruim ou maléfico, mas sim como um elemento provocador de uma transformação para alcançar o bem, Tov [טוֹב], e está justamente no final desta palabra para indicar que é um ciclo que se repete. Ao alcançar o belo, outro mal deve entrar para reiniciar o processo, em um loop infinito, afinal Tov [טוֹב] vale 2+6+9=17=8, um número intimamente ligado ao entendimento de loop infinito, de infinitude divina. Se quero ir além, posso utilizar seu valor 17, um número irracional que pode ser formulado por raiz de 42+12, o que leva a um retângulo de 4x1, cuja representação gráfica de seu triângulo revela sua hipotenusa, de valor raiz de 17 = 4,12311.... Encontro então o 4 como símbolo do mal e 1+2+3+1+1=8, o valor representativo do loop infinito, do ciclo que se repete eternamente.

2.9 A palavra hebraica [אבן] ehben [pedra] significa união, porque suas duas primeiras letras formam a palavra [אב] Ab, que significa [pai], e as duas últimas letras [בן] Ben, que significa [filho]. A construção dessas palavras não se deu ao acaso, simboliza a relação Pai/filho, tanto no acima, quanto no abaixo, já que o Theon e o Theos presentes na palavra teologia [teo+logia] é a representação do Eu Superior e do Eu Inferior, do Macroprosopo e do Microprosopo. Há uma diferença entre elas porque o primeiro é Theon (Pai) e o segundo Theos (filho). A letra Bet [ב] aparece no final da palavra [pai אב] e no início da palavra [filho בן], afinal Alef [א] como representação do nome de Deus, revela que Deus criou a Bet [ב] ou seja, criou a casa, o local onde o mal deve entrar para provocar as transformações e logicamente esse local é a Sua Criação, basta lembrar que essa é a primeira letra da Torá, revelando que de dentro desta casa, saiu tudo o que existe, a Criação, o mundo dos fenômenos. É a prova cabal de que houve um Big Bang, pois Bet [ב] está aqui como primeira letra do Bereshit [princípio] para contar a história da criação do mundo. Já o filho tem Bet [ב] como primeira letra, indicando que ele tem a casa como ferramenta para trabalhar o mal, ele ainda vai passar toda uma vida realizando sua Grande Obra e por essa razão necessita uma ferramenta especial, que nada mais é que seu interior, onde vai realizar seu trabalho do interno e Nun [ן] é justamente essa água primordial necessária para produzir prodígios. E por se fosse pouco, Nun [ן] também simboliza a morte, revelando essa necessidade de deixar que o mal entre em Bet [ב] como um trabalho de transmutação a ser realizado. Com tudo o que foi dito, fica evidente o trabalho de lapidação de nossa pedra bruta [אבן] ehben [pedra], palavra que se inicia com Alef [א], indicando que o trabalho de transformar essa água primordial [porque no princípio, a expressão [os Céus] era apenas um infinito ajuntamento de águas] deve ser elevado, pois conta com a presença divina.

2.10 Bet [ב] é pronunciada com a boca fechada, para logo ser aberta, deixando sair o som, portanto houve uma preparação interna e uma liberação do que foi preparado, revelando que Bet [ב] é um reino de sabedoria, e como também significa [casa], ensina que em nosso lar, devemos sempre pronunciar somente palavras sábias, evitando o vulgar. Para ser pronunciada, é necessário fechar a boca e isso dá tempo para reflexionar, enquanto a boca está fechada, a palavra ainda não foi liberada, com o qual podemos deter essa palavra, afinal, a palavra vale prata, mas o silêncio é ouro. O som de Beth [ב] ensina que há um trabalho interno a ser realizado, para logo ser exibido com sabedoria. Interessante ver que essa letra pode ter um ponto bem no centro, chamado daguesh [o daguesh forma parte do sistema inventado pelos masoretes no século VI para fixar a pronúncia no canto litúrgico em hebraico] e assim passa a ser pronunciada Bet [בִּ] em vez de Vet [ב], ainda que ao ver a letra sozinha e sem ponto pronunciamos Bet [ב], mas como Vet [ב] lembra o som de Vav [ו], que tem valor 6, que por sua vez conduz aos 6 dias que Deus levou para realizar Sua Criação, denotando os dias de trabalho, leva ao entendimento de que, quando há algo dentro de Vet [ב], um trabalho interno está sendo realizado e por isso a boca está fechada. Quando esse trabalho esteja concluído, significa que ele está elevado, tal e como o hálito divino, o hálito do hálito, portanto, o que sai da boca deve ser pura sabedoria. Vemos que mesmo o invento dos masoretes não foi feito ao azar, não sei se intencionalmente, conseguiram inserir um profundo significado com o uso da daguesh dentro da Bet [ב].

2.11 Bet [ב] vale 2 e representa o princípio do mundo físico, porque sua letra anterior no alfabeto é Alef [א], que vale 1 (o Um que é o Criador), portanto, a Bet [ב] é o limite intransponível da criação.
 
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Referências Bibliográficas:
1 Torá.
2 Zohar.

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