Translate

domingo, 2 de agosto de 2020

Minha Romã de pomar #2

ב
myorchardpomegranates 2 - Bet [ב]

2.1 Bet [ב] é a última letra da palavra Tov [טוֹב], e esta significa bem, bom, belo. Tov é a palavra que significa o bem na árvore do conhecimento. Essa palavra sugere que o mundo é bom, e assim, como uma semente que esconde dentro de si uma árvore e deve ser enterrada nas profundezas da terra para que germine, cresça e floresça, assim é a beleza humana, seu interior sensível e belo, que se deve permitir afundar nas profundidades das águas de abaixo, como um mergulhador, agarrado na barbatana de um golfinho angelical, deixando-se morrer em seu contrário, para finalmente ressurgir pelas águas do acima, deixando ver uma perfeição que antes estava oculta, e assim todos dirão o quanto é belo. Por isso, uma palavra que significa bom e belo, termina com Bet [ב], porque essa letra simboliza uma casa que tem seu lado norte aberto, indicando que o mal deve entrar para que ocorra uma transformação interna, porque somente dessa forma poderá alcançar o bom e o belo. Como primeira letra da Torá, é Deus iniciando a criação com um recado a quem possa entendê-lo, o de que Bet [ב] não está fechada ou seja, não é um quadrado perfeito, portanto está incompleta, Deus criou um mundo incompleto, deixando um lado aberto para que os seres possam participar em sua criação.

2.2 Nosso mundo físico pode ser representado pela letra Bet [ב] [valor 2 e símbolo da dualidade]. O plano da Bet [ב] é definido pela possibilidade do mal e da morte, enquanto que na perfeição do mundo da Alef [א], não há mal ou bem, porque não há possibilidades morais, assim como também não há tempo, portanto, o passado, o presente e o futuro, não existem no plano da Alef [א], ali tudo é indiferenciado, porque tudo está ligado à totalidade em sua raiz e porque no plano da Alef [א] existe apenas a eternidade, que é realmente a única coisa que existe. Toda existência temporal constitui uma inexistência em relação à eternidade de Ein Sof. Ver Alef [א].

2.3 Se eventualmente pudéssemos controlar as variáveis de tempo e espaço, entenderíamos melhor nossa relação com o mundo da Alef [א]. O esotérico intui o mundo da Alef [א], porque consegue "unificar" as partes fragmentadas do mundo da Bet [ב]. Agora, apesar da quantidade máxima de unificações que alcançamos no mundo da Bet [ב], sempre nos encontraremos neste universo. Devemos estar cientes de que, no plano da fragmentação existente neste universo Bet [ב], apesar do esforço máximo de unificação, sempre viveremos no processo de constante unificação, portanto, nunca conseguiremos alcançar a unificação completa.

2.4 Somos um fragmento do mundo da fragmentação [mundo da Bet [ב]], ao mesmo tempo em que somos um fragmento substancialmente derivado do mundo da unidade (mundo da Alef [א]).

2.5 Todo o mundo da Bet [ב] está contido no mundo da Alef [א]. Por esse motivo podemos distinguir duas letras Yud [י] na letra Alef [א], divididas por uma letra Vav [ו] no meio, o que significa que dentro da Alef [א] está o mundo da Bet [ב]. Se o mundo da Alef [א] representa o mundo da unidade, também podemos vislumbrar dentro deste essa dualidade. Alguns cabalistas sustentam que na Alef [א], a superior Yud [י] representa o mundo real da unidade, e a Yud [י] inferior representa o mundo da dualidade e que se encontram nas duas letras Hei [ה] do tetragrama. A letra Yud [י] vale 10 e a Hei [ה] vale cinco, o que leva ao entendimento de que a Yud [י] inferior divide-se nas duas Hei [ה] do tetragrama. Por outro lado, a Yud [י] superior, como unidade, representa as dez dimensões [sefirot] do mundo de Atzilut, que finalmente se tornam realidade nos três universos inferiores. Portanto, a inferior Yud [י] representa também as dez dimensões inferiores, que se tornam realidade material dentro do vazio. 

2.6 Todos queremos saber o que há e se há algo depois da morte física. Em termos de consciência divina, a morte como a conhecemos não existe. O que chamamos de "morte", dentro do mundo das letras hebraicas é entendido como a transição de um tipo de consciência divina no mundo da Bet [ב] para um universo de consciência no mundo da Alef [א], portanto são dois tipos diferentes de consciências. A energia individual faz sua consciência persistir em outros níveis além da matéria.

2.7 Como fragmentos que somos, possuímos partes fragmentadas de Sua consciência e, como tal, deixamos de perceber a consciência divina da Alef [א]. Por esse motivo, não alcançamos a verdade do plano da Alef [א], mas sim as perspectivas da verdade [Daat] no plano da Bet [ב].

2.8 As colunas do Templo de Salomão simbolizam os pares de opostos, claro e escuro, luz e escuridão, atração e repulsão, afirmação e negação, ativo e passivo, masculino e feminino, sul e norte, manifestado e imanifestado. Na coluna branca está Yud [י], a letra inicial do nome hebraico [יכין] Jakim. Na coluna negra está Bet [ב], a letra inicial de [בעז] Boaz. É fácil entender os segredos da Bet [ב], relacionados com suas conexões com o mal, mas um mal que deve ser entendido não como algo ruim ou maléfico, mas sim como um elemento provocador de uma transformação para alcançar o bem, Tov [טוֹב], e está justamente no final desta palabra para indicar que é um ciclo que se repete. Ao alcançar o belo, outro mal deve entrar para reiniciar o processo, em um loop infinito, afinal Tov [טוֹב] vale 2+6+9=17=8, um número intimamente ligado ao entendimento de loop infinito, de infinitude divina. Se quero ir além, posso utilizar seu valor 17, um número irracional que pode ser formulado por raiz de 42+12, o que leva a um retângulo de 4x1, cuja representação gráfica de seu triângulo revela sua hipotenusa, de valor raiz de 17 = 4,12311.... Encontro então o 4 como símbolo do mal e 1+2+3+1+1=8, o valor representativo do loop infinito, do ciclo que se repete eternamente.

2.9 A palavra hebraica [אבן] ehben [pedra] significa união, porque suas duas primeiras letras formam a palavra [אב] Ab, que significa [pai], e as duas últimas letras [בן] Ben, que significa [filho]. A construção dessas palavras não se deu ao acaso, simboliza a relação Pai/filho, tanto no acima, quanto no abaixo, já que o Theon e o Theos presentes na palavra teologia [teo+logia] é a representação do Eu Superior e do Eu Inferior, do Macroprosopo e do Microprosopo. Há uma diferença entre elas porque o primeiro é Theon (Pai) e o segundo Theos (filho). A letra Bet [ב] aparece no final da palavra [pai אב] e no início da palavra [filho בן], afinal Alef [א] como representação do nome de Deus, revela que Deus criou a Bet [ב] ou seja, criou a casa, o local onde o mal deve entrar para provocar as transformações e logicamente esse local é a Sua Criação, basta lembrar que essa é a primeira letra da Torá, revelando que de dentro desta casa, saiu tudo o que existe, a Criação, o mundo dos fenômenos. É a prova cabal de que houve um Big Bang, pois Bet [ב] está aqui como primeira letra do Bereshit [princípio] para contar a história da criação do mundo. Já o filho tem Bet [ב] como primeira letra, indicando que ele tem a casa como ferramenta para trabalhar o mal, ele ainda vai passar toda uma vida realizando sua Grande Obra e por essa razão necessita uma ferramenta especial, que nada mais é que seu interior, onde vai realizar seu trabalho do interno e Nun [ן] é justamente essa água primordial necessária para produzir prodígios. E por se fosse pouco, Nun [ן] também simboliza a morte, revelando essa necessidade de deixar que o mal entre em Bet [ב] como um trabalho de transmutação a ser realizado. Com tudo o que foi dito, fica evidente o trabalho de lapidação de nossa pedra bruta [אבן] ehben [pedra], palavra que se inicia com Alef [א], indicando que o trabalho de transformar essa água primordial [porque no princípio, a expressão [os Céus] era apenas um infinito ajuntamento de águas] deve ser elevado, pois conta com a presença divina.

2.10 Bet [ב] é pronunciada com a boca fechada, para logo ser aberta, deixando sair o som, portanto houve uma preparação interna e uma liberação do que foi preparado, revelando que Bet [ב] é um reino de sabedoria, e como também significa [casa], ensina que em nosso lar, devemos sempre pronunciar somente palavras sábias, evitando o vulgar. Para ser pronunciada, é necessário fechar a boca e isso dá tempo para reflexionar, enquanto a boca está fechada, a palavra ainda não foi liberada, com o qual podemos deter essa palavra, afinal, a palavra vale prata, mas o silêncio é ouro. O som de Beth [ב] ensina que há um trabalho interno a ser realizado, para logo ser exibido com sabedoria. Interessante ver que essa letra pode ter um ponto bem no centro, chamado daguesh [o daguesh forma parte do sistema inventado pelos masoretes no século VI para fixar a pronúncia no canto litúrgico em hebraico] e assim passa a ser pronunciada Bet [בִּ] em vez de Vet [ב], ainda que ao ver a letra sozinha e sem ponto pronunciamos Bet [ב], mas como Vet [ב] lembra o som de Vav [ו], que tem valor 6, que por sua vez conduz aos 6 dias que Deus levou para realizar Sua Criação, denotando os dias de trabalho, leva ao entendimento de que, quando há algo dentro de Vet [ב], um trabalho interno está sendo realizado e por isso a boca está fechada. Quando esse trabalho esteja concluído, significa que ele está elevado, tal e como o hálito divino, o hálito do hálito, portanto, o que sai da boca deve ser pura sabedoria. Vemos que mesmo o invento dos masoretes não foi feito ao azar, não sei se intencionalmente, conseguiram inserir um profundo significado com o uso da daguesh dentro da Bet [ב].

2.11 Bet [ב] vale 2 e representa o princípio do mundo físico, porque sua letra anterior no alfabeto é Alef [א], que vale 1 (o Um que é o Criador), portanto, a Bet [ב] é o limite intransponível da criação.
 
myorchardpomegranates
Donation please to: 
paypal.me/luciopatrocinio

Referências Bibliográficas:
1 Torá.
2 Zohar.

© Lúcio José Patrocínio Filho

Nenhum comentário:

Postar um comentário