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sábado, 1 de agosto de 2020

Minha Romã de pomar #1

א
myorchardpomegranates 1 - Alef [א]

1.1 Alef [א] é uma verdade oculta. Essa letra é o selo da Criação divina e revela necessidade de busca desenfreada por respostas elevadas, respostas que não podem ser dadas por palavras desse mundo e por isso provoca uma escapada a outros mundos, em uma busca, percorrendo sendeiros, sem deixar para trás as migalhas necessárias para poder encontrar o caminho de volta e isso provoca profunda solidão.

1.2 Alef [א] exerce uma força cinética e isso é devido a sua letra central Vav [ו]. Alef [א] é uma letra hebraica que também significa leão [Arieh] [אַריֵה] e está formada por três letras, Yud +Vav+ Yud [יוי], que vale [10+6+10=26], o mesmo valor do tetragrama sagrado [יהוה], que vale [10+5+6+5=26], que é o nome de Deus. Observe bem as formas dessa letra, para perceber que as duas Yuds estão colocando a Vav [ו] em movimento, atraindo em sentido anti-horário, isso mesmo, anti-horário, porque Yud [י], como primeira letra do nome de Deus é uma letra que emana Luz e por isso atrai a Criação, razão pela qual o universo se expande [uma percepção simbólica e esotérica], pois regressa para as mãos do Criador. Vav [ו] tem valor 6, a mesma quantidade de dias que Ele utilizou para criar o mundo, segundo o Gênesis ou seja, que em Alef [א] vemos as Yuds como as mãos do Criador –como figura completa, quando temos o Adam Kadmon como o homem e a mulher ainda indiferenciados, portanto duas mãos em cada Yud [י], sendo a Yud [י] esquerda as mãos femininas e a Yud [י] direita as mãos masculinas–, criando o mundo, por essa razão a Vav [ו] está girando em sentido anti-horário, suas extremidades estão sendo atraídas pelas mãos de Deus.

1.3 Na perfeição do mundo da Alef [א], não há mal ou bem, porque não há possibilidades morais, assim como também não há tempo, portanto, o passado, o presente e o futuro, não existem no plano da Alef [א], ali tudo é indiferenciado, porque tudo está ligado à totalidade em sua raiz e porque no plano da Alef [א] existe apenas a eternidade, que é realmente a única coisa que existe. Toda existência temporal constitui uma inexistência em relação à eternidade de Ein Sof.

1.4 Se eventualmente pudéssemos controlar as variáveis de tempo e espaço, entenderíamos melhor nossa relação com o mundo da Alef [א]. O esotérico intui o mundo da Alef [א], porque consegue "unificar" as partes fragmentadas do mundo da Bet [ב]. Agora, apesar da quantidade máxima de unificações que alcançamos no mundo da Bet [ב], sempre nos encontraremos neste universo. Deve-se estar ciente de que, no plano da fragmentação existente neste universo Bet [ב], apesar do esforço máximo de unificação, sempre viveremos no processo de constante unificação, portanto, nunca conseguiremos alcançar a unificação completa.

1.5 Tudo o que é regido pela Alef [א] vive nos dois mundos simultaneamente. Por um lado é consciente de que é um fragmento do mundo da fragmentação [mundo da Bet [ב]], mas por outro lado sabe que é um fragmento substancialmente derivado do mundo da unidade (mundo da Alef [א]).

1.6 Todo o mundo da Bet [ב] está contido no mundo da Alef [א]. Por esse motivo pode-se distinguir duas letras Yud [י] na letra Alef [א], divididas por uma letra Vav [ו] no meio, o que significa que dentro da Alef [א] está o mundo da Bet [ב]. Se o mundo da Alef [א] representa o mundo da unidade, também pode-se vislumbrar dentro deste essa dualidade. 

1.7 Alguns cabalistas sustentam que na Alef [א], a superior Yud [י] representa o mundo real da unidade e a Yud [י] inferior representa o mundo da dualidade, e que se encontram nas duas letras Hei [ה] do tetragrama. A letra Yud [י] vale 10 e a Hei [ה] vale cinco, o que leva ao entendimento de que a Yud [י] inferior divide-se nas duas Hei [ה] do tetragrama. Por outro lado, a Yud [י] superior, como unidade, representa as dez dimensões [sefirot] do mundo de Atzilut, que finalmente se tornam realidade nos três universos inferiores. Portanto, a inferior Yud [י] representa também as dez dimensões inferiores, que se tornam realidade material dentro do vazio. 

1.8 Todos queremos saber o que há e se há algo depois da morte física. Em termos de consciência divina, a morte como a conhecemos não existe. O que chamamos de "morte" é a transição de um tipo de consciência divina no mundo da Bet [ב] para um universo de consciência no mundo da Alef [א]. São dois tipos diferentes de consciência. A energia individual faz sua consciência persistir em outros níveis além da matéria. Como fragmentos que somos, possuímos partes fragmentadas de Sua consciência e, como tal, deixamos de perceber a consciência divina de Alef [א]. Por esse motivo, não alcançamos a verdade do plano da Alef [א], mas sim as perspectivas da verdade [Daat] no plano da Bet [ב]. Fomos criados para a consciência divina de Ein Sof no campo da temporalidade e, por sua vez, a reconhecemos como nossa própria consciência no campo da eternidade. Como fragmentos, temos uma consciência fragmentada, que é real no mundo das fragmentações manifestadas, mas que é uma ilusão na consciência real no plano da Alef [א]. 

1.9 Alef [א] é o além Keter, onde está o Ein Sof e não há como entender o que há ali. O único que nos resta é cair de joelhos e adorar sua infinita grandeza porque se Deus fosse representado por uma esfera, sua circunferência seria uma reta. Portanto, a existência existe para declarar a existência da eternidade de Ein Sof, porque a existência não tem existência própria, mas é derivada do infinito divino. Agimos como espelhos de Deus, uma vez que todas as manifestações de Deus [Ein Sof] constituem fragmentos da Divindade, que somos nós. Como fragmento do Todo, preocupe-se em como você dá forma à matéria, porque é isso o que realmente importa e é agradável a Ele. Ao aceitar nossa própria temporalidade e finitude, devemos reconhecer que há necessariamente uma eternidade e infinito além de nossa existência fragmentária. A morte física é, em essência, a transformação de um tipo de energia que contém certas informações que não podem desaparecer. Desaparecemos como fragmentos no mundo da fragmentação, mas continuamos a participar como informação no sistema eterno e geral de Ein Sof, porque, na realidade, cada um dos fragmentos [nós] é como os "neurônios de Deus" no campo da temporalidade existencial. E embora o Ein Sof não precisasse criar nosso mundo –afinal porque criaria algo, aquele que nada necessita–, Ele nos criou por algum motivo que não conhecemos. 

1.10 Todos estamos limitados por nossas aparências. Minhas luzes visíveis são como véus iluminados, movendo-se por um vento quente e seco, regido pela força das Alefs, uma Alef [א] atraindo os tolos pela minha direita e outra Alef [א] atraindo os invejosos pela minha esquerda, mas nenhum deles é capaz de ver o quão difícil será minha travessia, não conseguem ver o meu caminho real, e por isso somente lhes resta adorar meu Eu Inferior, porque meu Eu Superior está oculto atrás das luzes da santidade, pois são como guardiões, como querubins, protegendo-me, ainda que em alguns momentos pense que são como demônios surgindo das trevas, como basiliscos emergindo de dentro dos despenhadeiros de Lamed [ל], secando as ervas que decoram meu caminho, detendo a minha prosperidade e tentando cegar minha alma. 

1.11 Quando Deus escolheu Alef [א] como sua letra inicial de seu código divino –o alfabeto hebraico com o qual a Torá foi escrita e que é como um códice, que contém quatro níveis de descodificação–, Ele quis deixar uma marca em seu código, uma chave, um segredo, algo que sintetizasse todas as demais e ainda revelasse Seu nome.

1.12 Alef [א] tem o significado esotérico de unidade, representado por seu valor 1 e vai além da matemática, simboliza o Tudo de Sua Criação, pois Deus era o 0, o Nada primordial, e uma vez que restringiu Seu poder, como se fosse possível restringir o valor 0, criou o Tudo que é o mundo físico, mas Ele continua sendo Ele e sua Criação, porque de haver algo além Dele, logo Ele não seria Deus. Nós somos parte dessa unidade e Deus é o 10, simbolizando o Tudo e o Nada. Ainda dentro do entendimento da Criação, Alef [א] revela um 10 inferior e um 10 superior, por suas duas letras Yud [י], representando o Deus do antes e do depois da Criação, afinal a Vav [ו] inclinada ao centro vale 6, representando a própria Criação, pois Deus criou o mundo em 6 dias e descansou no sétimo, e como o hebraico é lido da direita para a esquerda, Alef [א] revela que Ele desceu para criar, logo, nosso mundo é inferior a Ele, com o qual, primeiro devemos elevar nossos pensamentos, para logo realizar as coisas do mundo físico.

1.13 Alef [א], além de seu valor como unidade, também vale 26, devido a que sua forma está desenhada com uma Yud [י] pela esquerda e outra pela direita da letra Vav [ו], somando 26, 10+6+10=26=8 que simboliza o loop infinito. O nome de Deus está condensado em um único e poderoso nome, conhecido por tetragramaton [יהוה], o qual sua soma vale 26, 10+5+6+5=26. 

1.14 Alef [א] é conhecida por brindar-nos o paradoxo do Deus homem. Seu elemento é a água, [um conceito ligado aos escritos bíblicos da Criação do mundo], simplesmente porque suas duas Yuds não estão na mesma altura, uma está acima e outra abaixo, indicando as águas superiores e as inferiores, o acima e o abaixo de Trismegistus. Biblicamente está descrito no Gênesis [E o espírito de Deus ronda acima da superfície das águas], momento no qual Ele divide as águas em superiores e inferiores, colocando o firmamento entre elas. O que era água na água, converteu-se em água de acima e água de abaixo. Vejamos o que está escrito:
[1:1 No princípio criou Deus os céus e a terra. 2 E a terra era vã e vazia, e (havia) escuridão sobre a face do abismo, e o espírito de Deus se movia sobre a face das águas. 3 E disse Deus: “Seja Luz!” E foi luz. 4 E viu Deus a luz que (era) boa; e separou Deus entre a luz e a escuridão. 5 E chamou Deus à luz, dia, e à escuridão chamou noite; e foi tarde e foi manhã, dia um. 6 E disse Deus: “Haja expansão no meio das águas e que separe entre águas e águas!” 7 E fez Deus a expansão e entre as águas de cima da expansão. E foi assim. 8 E chamou à expansão, céus. E foi tarde e foi manhã,, segundo dia. 9 E disse Deus: “Juntem-se as águas debaixo dos céus em um lugar, e se veja o (elemento) seco!” E foi assim. 10 E chamou Deus ao (elemento) seco, terra, e à reunião das águas chamou mares. E viu Deus que era bom.]

1.15 Alef [א] também é uma revelação, pois possui uma Yud [י] acima e outra abaixo, indicando a [Haazínu] e a [vetishmá], um símbolo de conexão espiritual, mas com solidez material. É não dar um passo muito largo para não perder seu equilíbrio, o passo com os pés de Guimel [ג], e não estender muito as mãos para colher aquela maçã que está nos galhos inalcançáveis da macieira para não acabar caindo do alto.

1.16 Na Cabala judaica a Tríade é associada às três Colunas da Árvore da Vida, às letras hebraicas Alef [א], Mem [מ] e Shin [ש] e aos elementos Ar, Água e Fogo, respectivamente. A Água se opõe ao Fogo, pois a Água apaga o Fogo e o Fogo ferve a Água. Alef [א] é o Ar, sendo que o Ar é o elemento conciliador, equilibrador, ele sopra o Fogo para torná-lo mais voraz, mas também sopra a Água para receber sua umidade, para com ela produzir as chuvas, que vão apagar o Fogo.

1.17 Alef [א] vale 1 e este valor como unidade também é por sua forma a letra [i] que vale 9. Alef [א] está formada por três letras, a saber: Yud, Vav, Yud [יוי] que valem 10+6+10=26, o mesmo valor do nome de Deus [יהוה], que soma [10+5+6+5]. Temos 3x3x3=27, um cálculo esotérico que representa Deus + você [26+1], assim como 9 é Alef [א] que vale 26, que é Deus, e [i] vale 9, temos 9+1=10, significando que o deus do abaixo [você] + o Deus do acima [יהוה], juntos constituem o Tudo e o Nada que é Deus.

1.18 Alef [א] por extenso é escrito [אלפ] e o valor dessa palavra é 111, demonstrando que D'us é 1, mas 1+1+1 = 3. Esse valor conecta com todos os entendimentos da letra Guimel [ג]. Se Alef [א] vale 1 e por extenso temos 3 vezes esse valor, então 1 é simbolicamente igual a 3, com o qual temos 3x3x3 = 27, e sabemos que o nome de D'us, o tetragrama é 26, 26+1 = D'us + você.

1.19 Alef [א] pode ser entendida como três letras, Yud [י], Vav [ו] e Dalet [ד] e essas letras formam a palavra "ponto", indicando o ponto onde se inicia uma reta, o princípio de tudo, que é o Criador, o Grande Arquiteto do Universo.

1.20 Uma curiosidade sobre a letra Alef [א] está em como as cores hexadecimais funcionam. Não quero me aprofundar nesse assunto, se você quiser saber mais sobre ele, basta acessar o link para aprender sobre o assunto. Eu só quero expor minha admiração sobre a letra Alef [א], novamente de forma impressionante, porque em valor de cor hexadecimal, a cor rgb[26, 26, 26] ou apenas 26, tem sua notação como 1A1A1A e / ou 1A.

1.21 Alef [א] é escrita Alef [א] + Lamed [ל] + Pei [פ] que valem respectivamente 1+30+80 = 111 = 3, indicando 3 vezes que D'us é indivisível, pois contém a tripla repetição do valor 1. O valor final 3 conecta com as mais diversas referências esotéricas desse número, tal e como as 3 Sephiroth de acima na Árvore da Vida [Rormá, Biná e Keter] ou mesmo a combinação Rormá, Biná e Daat. Pessoas com Alef [א] no nome tendem a ser únicas. São portadores do nome de D'us de forma codificada, portanto, em geral costumam ser bons em matemática, lógica e no estudo de letras, assim como em programação, mas como essa letra impulsiona ao trabalho, por culpa da sua forma central ser uma letra Vav [ו], quando trabalham nas coisas exteriores ou materiais, não encontram a verdade, porque ela está oculta e de forma codificada neles mesmos ou seja que, quando caído, será Dalet [ד] a letra que está de cabeça para baixo na perna esquerda da Alef [א], mas, quando está elevado será a Yud [י], a letra que está elevada à direita da letra Alef [א]. Como essa letra inicial do alfabeto tem ao centro a letra Vav [ו], que vale 6 e representa os dias da criação do mundo, Alef [א] torna-se a realização do trabalho ou a realização da Grande Obra dos esotéricos, contudo, como esse pode ser caído ou elevado, segundo o lado escolhido no sendeiro de cada "um", então será cada "um" quem decidirá seu caminho a ser seguido, enquanto realiza a vontade do Criador.


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Referências Bibliográficas:
1 Torá.
2 Zohar.

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