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segunda-feira, 3 de agosto de 2020

Minha Romã de pomar #3

ג
myorchardpomegranates 3 - Guimel [ג]

3.1 Guimel [ג] é como um triângulo equilátero. 

3.2 É não dar um passo muito largo para não perder seu equilíbrio, o passo com os pés de Guimel [ג], e não estender muito as mãos para colher aquela romã que está nos galhos inalcançáveis da romãzeira para não acabar caindo do alto.

3.3 Guimel [ג] é uma letra que simboliza o temor a Deus, o culto da fé, porque Guimel [ג] é riqueza com amor, perceba que sua forma é como uma perna corre para fazer fortuna e suas mãos estão juntas ao céu, mostrando seus tesouros como se fosse uma recompensa que será utilizada para retificar.

3.4 Guimel [ג] revela profundos significados, assim como todas as demais letras, mas coloque a atenção nessa letra em especial para perceber que ela lembra uma pessoa em posição de oração, com as mãos ao alto. Essas mãos não estão vazias, estão mostrando um tesouro, esse tesouro são seus dons. Todos temos dons que nos foram concedidos para que possamos utilizá-los na realização da Grande Obra. Pesquise por essa expressão [Grade Obra]. Guimel [ג] mostra seus dons a Deus, mas acima de tudo está revelando um segredo, o de que devemos honrar a Deus com nossos dons, utilizando esses dons para realizar nosso propósito divino. [Honrar a Deus com perfeição é tornar nossa alma à sua imagem e semelhança], segundo essa máxima pitagórica, a honra que se presta Àquele que nada necessita, consiste em receber os dons concedidos por Ele, pois não se honra a Deus pedindo-Lhe coisas, dando-Lhe coisas ou dando-Lhe palavras de agradecimento, mas sim tornando-se digno de receber tais dons. Todo ato perfectivo deve ser ofertado a Deus, não na forma de agradecimento, mas na aceitação do dom merecido e fazendo bom uso dele; este é o verdadeiro culto pitagórico. É a intencionalidade da oferta o que será valorado, pois a piedade é agradável a Deus, incluindo aqui a piedade consigo mesmo.

3.5 Guimel [ג] é um junco com dois pés, símbolo do Faraó do período de Akenaton.3

3.6 Guimel [ג], fazendo o som da "G", não está diretamente associada a um deus egípcio. No entanto, há um símbolo hieroglífico que aparece no nome de Áton. Em seu cartucho há um símbolo pronunciado "yi" na forma de uma Yud [י] provido de duas pernas. Ele é usado na expressão "aquele que vem da luz de Áton" ou "aquele que reside à luz de Áton". Em hebraico, o verbo "residir" ou "habitar" é Gar [גר]. As duas letras desta palavra encontram sua analogia na expressão "quem reside" incluída no título de Áton. O símbolo egípcio expressa a ideia de movimento, já que emprega duas pernas. Ele emana luz e habita no disco solar. Este conceito, proveniente do próprio coração do Egito, e encontrado nos Textos das Pirâmides - enfatiza que Deus e o homem vêm da luz e vão em direção à luz.

3.7 A letra Guimel [ג] significa [camelo]. As formas primitivas da letra podem ter sugerido este animal porque a cabeça e o pescoço de um camelo têm alguma semelhança com um arco curvo. Além disso, o verbo hebraico gaumel [גמל], escrito com as mesmas letras que o substantivo Guimel, significa carregar uma carga, amadurecer [tal e como as frutas], compensar [para o bem ou para o mal] [recompensa e castigo].

3.8 O atributo cabalístico da Gueburá [גבורה] simboliza a pureza, a força e a severidade. Enquanto Chesed dá, ele recebe. Ele usa da severidade para fazer cumprir as necessidades do mundo físico. Enquanto Chesed é o Amor, Gueburá é o Juízo. Enquanto Chesed dá com razão e sabedoria, Gueburá constrói a riqueza. Ele é riqueza com amor, ele é Guimel [ג], que com sua perna corre para fazer fortuna, e com sua mão, mostra seus tesouros como se fossem uma recompensa que será utilizada para retificar.

3.9 Guimel [ג] tem uma interessante conexão com Chesed [חסד] e esse simbolismo foi bastante trabalhado por Michael Laitman e outros buscadores da verdade. O [desejo de doar] tende à equivalência de propriedades com o Criador. Essa é a razão de Chesed ser a mais elevada dentre as presentes no mundo de abaixo, sendo que nos mundos espirituais, esse [desejo de doar] é o que leva à união com Ele. Esse entendimento leva à compreensão dos porquês da Shekinah Guimel [ג]. Assim que a Luz encontrada na Criação alcança o nível de Ohr Hassadim, e Ohr Hochma está quase totalmente ausente [Ohr Hochma ou Hochma, como principal força vital da Criação], a Shekinah Bet [ב] começa a sentir essa deficiência. Assim, no final de seu desenvolvimento, atrai uma parte da Ohr Hochma, para que possa começar a brilhar dentro da sua Ohr Hassadim. Nesse momento, uma parte de seu desejo interno de receber, desperta novamente e forma um novo recipiente chamado Shekinah Guimel [ג] ou mesmo a sefirah Tifereth, pois essa tem conexões com os entendimentos das coisas de Guimel [ג]. A Luz interior é Ohr Hassadim, com a luminescência de Ohr Hochma. Portanto, a parte principal de sua Luz consiste de Ohr Hassadim, sendo Ohr Hochma menos significativa. Em seguida está a Shekinah Dalet [ד], pois o Kli4 [כלי] [vaso ou recipiente] da Shekinah Guimel [ג] também desejava atrair Ohr Hochma ao final de seu desenvolvimento, mas desta vez a desejava toda, como aconteceu na Shekinah Alef [א]. Do surgimento de um novo desejo de receber a Luz no Kli, embora minúsculo, surge a Shekinah Guimel [ג] ou Zeir Anpin. Enquanto Guimel [ג] dá e recebe, seu Kli começa a descobrir que o desejo do Criador é o de preenchê-lo completamente com a Luz, para que possa desfrutar infinitamente. Como o Kli já recebeu um pouco da Luz de Hochma, necessária para sua existência, agora decide receber o restante desta Luz. Esse é o Seu desejo, e o Kli continua recebendo Sua Luz. É isso que a Shekinah Guimel [ג] constrói. Existem dois desejos diferentes no vaso, o [desejo de receber] e o [desejo de doar], mas o [desejo de doar] prevalece. Ela não tem nada para doar ao Criador, mas seu "desejo de doar" existe nela e é preenchido com a Luz de Hassadim, que contém um pouco da Luz de Hochma, a qual preenche o "desejo de receber". Há apenas uma coisa que nos falta para revelar nossas almas, sentir que mesmo agora estamos no mundo de Ein Sof, que tudo brilha ao nosso redor e que não há limites. É a luz de Hassadim [misericórdia, amor, doação e ascensão acima do ego], que se manifesta em cada letra, permitindo perceber como emana de cada uma delas e essa emanação pode ser interpretada, revelando profundos entendimentos cabalísticos. No caso da Guimel [ג], sua Shekinah Guimel [ג] revela uma Ohr Hassadim muito completa, pois Guimel [ג] está de joelhos, com as mãos juntas e estendidas aos céus, tanto oferecendo seus dons, quanto recebendo a Luz do Criador, e como ela é a terceira letra do alfabeto, a que vem depois de Bet [ב],  que é a primeira letra da Torá e símbolo do vaso onde foi realizada a criação, indica que, assim como todas as outras letras saíram de Bet [ב] para formar parte da Criação, Guimel [ג] saiu em posição de doação e recepção dos dons concedidos pelo Criador.

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Referências Bibliográficas:
1 Torá.
2 Zohar.
Sabbah, Roger - Secrets of the Exodus, chapter 21.
4 Kli Rishon Um kli rishon [כלי ראשון, [primeiro recipiente]] é um recipiente que foi aquecido diretamente em uma chama ou outra fonte de calor. Mesmo quando removido da fonte de calor, esse recipiente mantém seu status de [kli rishon] e possui a capacidade de decretar [bishul] em qualquer tipo de alimento colocado dentro dele. Essa capacidade permanece até que a panela e seu conteúdo esfriem abaixo da temperatura do [yad soledet bo [יד סולדת בו], o grau de calor do qual a mão recua em ato reflexo. Rabino Simcha Bunin Cohen, The Shabbos Kitchen Mesorah Publications, Ltd. 1991, p.17. Dessa forma pode-se utilizar o termo Kli [K'li] para referenciar simbolismos referentes ao recipiente que abriga a alma.
5 Michael, Laitman - Várias obras.
© Lúcio José Patrocínio Filho

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