|
9.1 A forma da letra Tet [ט] é facilmente identificável como sendo uma serpente enrolada, e esse animal está carregado de profundos simbolismos, que vão desde a serpente de Adão, até a Vara de Moisés. [No crepúsculo do sexto dia da Criação, Deus criou a vara e a entregou a Adão no momento em que foi retirado do paraíso.] [Ab. v. 9, e Mek Beshallaḥ, ed. Weiss, iv. 60]. Nessa vara estava gravado o inefável Nome de Deus. Depois de passar sucessivamente pelas mãos de Sem, Enoque, Abraão, Isaque e Jacó, a vara passou às mãos do filho de Jacó, José, mas com sua morte, os nobres egípcios roubaram alguns dos seus bens e Jetro apropriou-se de alguns bens pessoais, contudo, não conseguiu retirar a vara do chão, afinal, somente o ato de tocá-la já representava risco de morte. Quando Moisés tornou-se agregado de Jetro, conseguiu ler o Nome de Deus e assim foi capaz de utilizar essa vara, o que lhe rendeu um casamento com Zípora, a filha de Jetro, porque anteriormente havia feito com que ela jurasse que se casaria apenas com aquele que dominasse a milagrosa vara [Pirke R. El. 40; Sefer ha-Yashar; Yalḳ. Ex. 168, final]. Entretanto, a Mishná ressalta [Ab. v. 9], que se desconhecia a origem divina da vara, sendo esta origem mencionada por primeira vez em Mekilta [LC] e no Sifre sobre Deut. [Ber. xxxiii. 21, ed. Friedmann, p. 355].1 9.2 A vara que se converte em serpente é simbologia relacionada ao poder da vida ou poder de engendrar a vida, e conecta com os entendimentos esotéricos sobre o falo masculino. Essa energia ou eletricidade, explicada em Chet [ח] como a chispa divina que se converte em uma consciência viva, pode ser evidenciada ou exagerada a tal ponto de ser emocionalmente percebida no ato sexual entre um homem e uma mulher. É essa energia vital o que move os homens, a chispa da vida, a serpente que todos levamos dentro, como um monstro que se move entre nossas costelas e navega por nossos nervos e cérebros. Essa energia é tão vital, que os seres vivos possuem esse entendimento gravado em seu código genético, pois aquele ser que não serve para reprodução, logo fenece e morre. De uma forma ou outra, há de manter essa chama viva para seguir existindo, esse é o chamado Grande Agente Mágico pelos magos de todas as ordens esotéricas que se prezam, assim como denominam de Kundalini o movimento ou o fluir dessa energia por nossos corpos. Aquele que domina e sabe utilizar sua serpente, entende a mecânica da realização da Grande Obra, mas não se realiza a Grande Obra, dominando sua serpente, mas domina a sua serpente, aquele que realizou a Grande Obra ou seja, que o domínio da serpente é simplesmente a constatação da atuação da [presença divina] em seu interior, porque é ela quem realiza as obras, nosso trabalho está apenas em permitir sua presença. Aqueles que trilham seu reto caminho pelo sendeiro de Chet [ח] possuem o equilíbrio justo, perfeito e divino em seu interior, em seu vaso interno ou recipiente, possibilitando ser habitado pela presença divina, para assim poder atravessar o umbral de Chesed [חסד], em um movimento ascendente, de desapego das coisas do mundo dos fenômenos. Esse movimento ascendente ou desapego está profundamente atrelado aos conceitos do [amor], pois amar é dar sem esperar nada em troca, sequer esperar por um obrigado ou ser correspondido pelo fato de haver dado, por isso Chesed [חסד] é entendida como uma Sefirá de caridade e portal para os mundos superiores. Aqui a alma já realizou seu trabalho e agora pratica a caridade, o desapego. Aquele que está em Chesed [חסד], já executou seu trabalho e agora recebe seu salário. Chesed [חסד] é o momento do recebimento da recompensa, porque ao mesmo tempo em que a alma dá, recebe a recompensa da elevação aos mundos superiores. 9.3 A letra Tet [ט] é escrita [טית], palavra que vale [9+10+400=419=14=5], valor que conduz à letra Hei [ה]. A sobreposição de ambas letras demonstra que há uma semelhança entre as duas, mas ¿ quais são as diferenças entre elas? Hei [ה] não tem seu lado esquerdo conectado com o direito e seu lado direito não está encurvado, tal e como o rabo de uma serpente. Seu lado esquerdo é uma Yud [י] inferior, entretanto, Tet [ט] tem por sua esquerda a letra Zayin [ז], que vale 7. Se separo Tet [ט] em duas partes, obtenho Zayin [ז] pela esquerda e Bet [ב] pela direita, o que resulta em [7+2=9], valor da letra Tet [ט]. É sempre surpreendente desvendar a matemática das letras e descobrir que não há erros, as contas são simples e sempre fecham, algo como se os codificadores da Torá quisessem deixar um registro de que não eram leigos ou ignorantes e que possuíam uma sabedoria além de seu tempo, algo tão profundo que o atribuem ao Criador. Gosto de pensar que houve uma civilização que usou a mente para melhorar a vida de seu povo e que registrou seus conhecimentos em um texto muito bem amarrado, com códigos que permitissem comprovar se o original foi alterado, para assim preservar sua pureza. Provavelmente, o caldeirão onde foram cozidos todos esses ingredientes seja a cidade de Aquetaton, capital do faraó Aquenáton. Desvendadas essas conexões com outras letras que possuem seus próprios significados, torna-se possível extrair entendimentos, conceitos que ajudam a revelar as mensagens ocultas nas letras e nos textos em hebraico. Tet [ט] é a serpente em chamas, as chamas da espada de Zayin [ז] – é a espada flamejante, a chispa divina que deve ser introduzida nesse caldeirão que vai gerar uma nova vida. Não estou falando dos significados fisiológicos da procriação, esses estão evidentes, falo das formas como o universo foi codificado para que houvessem possibilidades para o surgimento da vida. Se tudo começa com energia pura, – a mesma energia expressa na famosa fórmula de Einstein, onde e=m.c2 – e nesse princípio não havia a matéria tal e como a conhecemos, somente pura energia em temperaturas e velocidades de expansão inimagináveis, então ¿como pode essa energia portar todas as fórmulas do universo?, enfim, tudo estava pensado, programado para ser assim, com a energia convertendo-se em matéria, formando estrelas de todos os tipos, buracos negros, galáxias, planetas, energias ainda desconhecidas, e todas as fórmulas que definem como tudo se relaciona por meio de leis físicas, então temos as fórmulas para que ocorram as condições necessárias para o surgimento da vida, fórmulas e elementos necessários para que isso ocorra, o processo de seleção natural e os diferentes tipos de tecidos celulares que foram sendo forjados em todo o universo, olhos, sangue, pele, cabelo, fígado, rins, escamas, penas, toda a complexidade do cérebro e assim por diante, provavelmente um algoritmo de possibilidades infinitas, tudo, absolutamente tudo já estava contido nessa energia primordial que hoje chamamos de Big Bang. Pois bem, Tet [ט] é tudo isso; ela é o rabo de fogo, uma espiral de geração, um símbolo representativo da criação do universo, ela é o forno de Bet [ב] e a espada de fogo de Zayin [ז], ascendendo esse fogo em seu útero, é o ser racional observando seu final, tal e como está representado na letra Hei [ה], é o ciclo que se repete em uma espiral universal, que abarca o macro e o micro. Por isso os cabalistas encaixam Tet [ט] na sefirá Yesod, símbolo de geração, mas com pureza, com divindade. Tet [ט] explica o objetivo da existência, que é o da formação de seres inteligentes, que possam algum dia chegar a pensar divinamente, com entendimentos tão avançados que o possibilite comunicar com o superior; e a partir desse ponto possa estar conscientemente ao lado do Criador. Por isso essa letra é entendida como um selo de proteção, de refúgio e de continuidade da vida, pois a continuidade da existência dos seres pensantes é, por lógica existencial, meta de um universo que quer ser entendido, decifrado, abarcado e, eventualmente, transcendido. Se Hei [ה] é a chave, Tet [ט] é a fechadura da porta de Dalet [ד], porque [5+4=9]. Quando olho pelo buraco negro dessa fechadura, vejo uma energia sendo transformada pela pureza do amor, algo como Chesed abrandando o coração de Gueburá, em um equilíbrio de forças, uma transcendência sobre os desejos, algo que resulta em elevação espiritual em um âmbito multidimensional, algo que transcende e permite o arrebatamento, ao abrir o portal ao extra físico, mundo da pureza. Tet [ט] também é a união de Zayin [ז] com Kaph [כ], pois [7+20=27=9], é o homem portando uma tocha, indo iluminar o interior de sua caverna ou seja, é aquele que leva luz para dentro de si mesmo.
|
|
Donation please to: paypal.me/luciopatrocinio Referências Bibliográficas: 1 Jewish Encyclopedia 2 Torá. 3 Zohar. |
| © Lúcio José Patrocínio Filho |
Translate
sábado, 22 de agosto de 2020
Minha Romã de Pomar #9
Assinar:
Postar comentários (Atom)

Nenhum comentário:
Postar um comentário